O que se espera de um bom gestor industrial?

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No presente contexto competitivo, no qual o mercado exige uma maior flexibilidade das empresas, uma maior rapidez na resposta e onde os clientes são cada vez mais exigentes, um dos objetivos das empresas é não só produzir o que pode ser vendido mas, prioritariamente, produzir o que já está vendido, pode parecer redundância mas é isto mesmo. Para isso é necessário que o gestor industrial, responsável por fazer as coisas realmente acontecerem, entre outras competências, domine a atividade tecnológica de produção, coordene os fluxos produtivos de uma maneira eficiente, organize adequadamente os aprovisionamentos, gerencie os estoques racionalmente, fixe prazos internos de entrega inter-setoriais curtos, cumpríveis e que os respeite, promova a minimização dos custos operacionais de fabricação, assegure a produção de pequenas séries de fabricação customizadas aos pedidos dos clientes, seja receptivo a novas tecnologias de manufatura e a evolução dos produtos. Tudo isso aliado a elevadas doses de bom senso.

Considerando-se que a principal preocupação da empresa é a satisfação dos seus clientes, é fundamental, ainda,  que o gestor domine dois dos principais fluxos: o fluxo de materiais e o fluxo de informação. Para conseguir tal façanha é importante ficar ligado nos seguintes pontos: simplificar os fluxos de materiais existentes eliminando as operações que não agregam valor ao produto, flexibilizar e acelerar esses fluxos de materiais, minimizar as avarias das máquinas através de eficientes planejamento e controle da manutenção, diminuir os set-ups (tempos de preparação) das linhas de fabricação, melhorar a qualidade do produto, desenvolver a polivalência dos operadores e fortalecer as relações com fornecedores e distribuidores, criar um sistema de informação de suporte à gestão da produção eficiente e objetivo e desenvolver a noção de “qualidade total” na equipe de trabalho e aplicá-la em conjunto. Parece muita coisa? Pois ainda não é tudo.

Para além da função tecnológica, que é uma das dominantes na função produção, também o fator humano é fundamental para o sucesso da gestão industrial. Daí que na aplicação dos novos métodos de gestão e organização industrial deve-se buscar, ininterruptamente, os seguintes pontos: a criação de estruturas mais flexíveis que realizem tarefas mais complexas e menos repetitivas que no passado, a formação de operadores com uma maior polivalência e domínio de novas tecnologias, com o objetivo de aumentar a motivação, melhorar a produtividade, a qualidade e a segurança no trabalho.

Gerir eficazmente as operações numa empresa industrial ou numa empresa de serviços, requer competências na concepção e construção de sistemas integrados de pessoas, materiais, informação, equipamentos e energia. Estas competências têm os seus fundamentos na matemática, física e ciências sociais, as quais se combinam com os princípios e métodos de análise e concepção de sistemas de forma a especificar, prever e avaliar os resultados obtidos.  

De uma maneira geral, o gestor industrial precisaria reunir competências nas  áreas de trabalho relativas a  análise de métodos, tempos e custos de operações, gestão de materiais e logística, controle de qualidade de produtos e de processos, análise e reformulação de lay-outs fabris, técnicas de simulação de sistemas (operacionais e de gestão), análise econômico-financeira de investimento, manutenção preventiva e corretiva de equipamentos, segurança do trabalho, planejamento e controle de produção, tecnologias de produção Industrial  e acesso a software de apoio, desde as ferramentas popularizadas de automação de escritórios até a software específico que lhe permite planejar e controlar operações, analisar sistemas existentes ou conceber novos sistemas (criando modelos e simulando o seu funcionamento).

A área de produção industrial tem sofrido ao longo das últimas três décadas enormes transformações, seja em relação às tecnologias, seja em relação às suas formas de organização. Enquanto que as tecnologias caminharam no sentido de proporcionar níveis crescentes de eficiência e flexibilidade, as formas organizacionais esforçaram-se por conciliar dois objetivos aparentemente inconciliáveis: a qualidade e a flexibilidade. As empresas foram progredindo nesta direção e muitas atingiram níveis limite de performance operacional. Resta, entretanto, um paradigma a conquistar: o da previsibilidade. Isto é, conseguir cumprir as datas que foram programadas.

Neste caso, para além de informação realista na base de dados e de software apropriado, é necessário identificar todas as restrições que se colocam nos vários ambientes possíveis de produção, compreender o seu comportamento – muitas vezes aleatório – e contar com os seus efeitos no processo de planejamento e controle, o que faz com que se deseje que o gestor industrial ideal, seja também mágico, vidente e alquimista, de maneira que possa trabalhar com o imponderabilidades, tipo inundações das que assolaram a região serrana do Rio de Janeiro. Espera-se muita coisa de um bom gestor industrial, até um pouco além daquilo que ele realmente pode dar. Mas, na verdade, a única coisa da qual ele não deve nunca se esquecer, é que nenhuma empresa, grande ou pequena, contrata gestor para administrar abundância. Só se administra escassez. 




Mauricio de Oliveira Mauricio de Oliveira  /  Site do autor  /  Gestão  / Data: 10/02/2011  / Views: 7.248 / Mais artigos deste colunista

engenheiro industrial mecânico,especializado em engenharia econômica e administração industrial,e consultor em gestão industrial e gestão da qualidade...