A evolução da Qualidade

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“Se alguma coisa puder correr mal, ela correrá mal”

Lei de  Murphy

Major Edward A. Murphy Jr (1918 - 1990),

Engenheiro aeroespacial de sistemas críticos.

 

É certo que o Homem sempre se preocupou com a qualidade, ou seja com a conformidade do que produzia.  Prova de tal é o fato de mesmo nos registros das civilizações antigas se encontrarem referencias á qualidade. Por exemplo o código  de Amurabi  cita que “Se uma casa mal-construída causa a morte de um filho do dono da casa, então o filho do construtor será condenado à morte” (Seção 230),  revelando a preocupação com a qualidade das construções.

 

A conceito da qualidade tem evoluído, com especial transformações em marcos fundamentais para a historia moderna, sendo o Séc. XX a idade da Qualidade.

 

Nos tempos antigos,  comum era o processo produtivo e de controlo da qualidade estar centrado num só  individuo, o artesão. Este rejeitava os produtos que não cumprissem com os seus requisitos de qualidade, em especial porque o pagamento era baseado na qualidade da peça.

 

A industrialização vem trazer muitas alterações, ao massificar a produção, o que obriga a que sejam introduzidos novas formas de controlo, obrigatórias pois o artesão dá origem ao operador (muitas vezes sem instrução, não treina para as atividades fabris), que coadjuvava a máquina na produção. A qualidade é assegurada pela perícia do operário, e pelas inspeções .

 

O sistema Tayloriano,implementado nos EUA, no fim do século XIX, provocou um grande aumento na produtividade, mas provocou também elevadas perdas por questões de qualidade, fazendo nascer assim os primeiros departamentos de inspeção.

 

Nasce o controlo da qualidade formal, que se caracteriza pela verificação de  materiais, peças, componentes, ferramentas e outros estão de acordo com os padrões estabelecidos. Era um processo baseado nas inspeções, o que resultava muitas vezes na rejeição ou retrabalho de lotes inteiros ou então na expedição de lotes fora da conformidade.  Os custos associados á qualidade eram substanciais.

 

Com o inicio do séc. XX, surgem os conceitos de Shewhart (1981 – 1967) genericamente conhecidos por controlo estatístico.  A este estatístico se deve também o desenvolvimento da base da carta de controlo.

 

A primeira grande guerra mundial acaba por demonstrar na prática o risco do trabalho mal executado, em que as falhas do material militar foi atribuído á produção de itens fora das especificações.

 

 

 

Antes da década de 30, a qualidade passava pelas técnicas de inspeção. Por volta dos anos 30, começa-se a concluir que situar a Qualidade em torno da inspeção do produto acabado se estava a tornar manifestamente insuficiente. Inicia-se assim uma segunda fase de evolução da Qualidade, em que a inspeção é complementada por uma atitude de natureza mais preventiva, baseada em metodologias de controlo estatístico.

 

A garantia da qualidade consiste em todas as atividades planejadas e sistemáticas que são implementadas dentro do sistema de qualidade buscando assegurar que o projeto irá satisfazer os padrões relevantes de qualidade.  

 

Com a Segunda guerra mundial (1941-1945) surge a necessidade da produção massiva de armamento, alem de todo o resto do material necessário. Os contratos eram muitas vezes ganhos pelos fabricantes com o menor preço,  mas a qualidade e viabilidade do armamento era crucial, o que levava a que as forças armada verificassem todo o material, surge então a famosa MIL- STD- 105, que é uma norma de amostragem aplicada aos contratos militares.

 

No final da guerra o Japão encontra-se devastado, e dedica-se á reconstrução, virando a sua industria para a produção de bens de consumo.O Papel de Deming e Juran é fundamental na evolução da qualidade, e na evolução da industria japonesa.

 

Surge a nova abordagem da Qualidade Total, em que os esforços se centram na melhoria dos processos organizacionais, com o envolvimento de todos os envolvidos nos processos e a massificação dos novos conceitos nas hierarquias.

Na década de 60, os circuitos de controlo da qualidade da autoria de Ishikawa.

 

Surgiram também as sete ferramentas básicas da qualidade na utilização da produção: Fluxograma, Folha de Verificação, Diagrama de Pareto, Diagrama de Causa e Efeito, Histograma, Diagrama de Dispersão e Carta de Controle

O desenvolvimento da industria asiática e o desfazamento qualitativo entre os seus produtos e os dos paises ocidentais, força a industria América, na década de 70, a aderir e a liderar o movimento para a qualidade, surgindo então a gestão pela qualidade total (TQM), que enfatiza as técnicas estatísticas e as estratégias para o envolvimento da organização como um todo.

 

O passo seguinte é a publicação da normas de gestão da qualidade. Em 1987, a sério ISO 9000, publicadas pela ISO  (Organização      Internacional    para   Normalização), uma    organização     não- governamental que elabora normas de aplicação internacional, fundada em 1947 com sede em Genebra (Suíça). A Sua missão consiste na promoção do desenvolvimento da normalização e, atividades relacionadas, em todo o mundo, como elemento facilitador das trocas comerciais de   bens   e   serviços,   dentro   dos   princípios   da   Organização   Mundial   do   Comércio.

 

Tem-se então assistido ao amadurecimento da gestão da qualidade, tendo o termo TQM caído em desuso,  assiste-se ao aparecimento do 6-sigma, da função da qualidade, desenvolvimento de normas especificas para diversos sectores (automóvel, aeroespacial), aparece a norma de gestão ambiental (ISO 14001), a norma de gestão da segurança dos alimentos (ISO 22001), de segurança de informação (ISO 27001).  

 

 




Kátia Reis Kátia Reis  /  Site do autor  /  Qualidade  / Data: 08/03/2009  / Views: 28.527 / Mais artigos deste colunista

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