Os males do perfeccionismo
Colunista:
Wellington Moreira | Publicado em:
01/12/2011 | Leituras:
356
Na ânsia por entregar o melhor trabalho possível muita gente acaba não realizando aquilo que deveria, mesmo quando seu potencial é reconhecido publicamente. Entre eles estão os perfeccionistas, pessoas que têm boa intenção, mas calculam mal a medida de suas virtudes quando precisam partir para a execução.
Profissionais constantemente insatisfeitos com o seu trabalho, mesmo quando nada mais precisaria ser acrescentado, e que revisam suas apresentações mil vezes, elaboram planilhas dispensáveis e passam o final de semana editando um e-mail na busca pelas palavras exatas. Pessoas que, devido à baixa auto-estima, investem um tempo exagerado na organização de suas tarefas, consumindo muito mais energia do que necessitariam para chegarem ao mesmo lugar.
É claro que o planejamento tem uma importância capital no mundo do trabalho, o problema reside no fato de que os perfeccionistas se satisfazem com o ato de planejar, sendo pouco orientados para o cumprimento das atribuições que estão sob sua responsabilidade. Por conseguinte, são percebidos como improdutivos e têm de suportar a aura de chatos, já que dificilmente estão satisfeitos com o trabalho dos outros.
Ainda é preciso ter em mente que o perfeccionismo está ligado a atitudes que pouco colaboram com aquilo que se espera de um bom profissional hoje em dia. Se a organização, zelo e uso de metodologia – características indiscutivelmente positivas – estão presentes, também é verdade que esta mesma pessoa necessita de muito tempo para realizar suas atividades, fica presa a detalhes desnecessários e apresenta dificuldades para atuar frente a mudanças.
Contudo, muitos acreditam que se trata de uma virtude menor. Durante entrevistas de emprego, por exemplo, quando questionados a respeito de seus pontos fracos, inúmeros candidatos ainda afirmam serem perfeccionistas (quando não o são), simplesmente pelo fato de que esta resposta parece amenizar o desconforto de terem de revelar suas verdadeiras mazelas.
Não é fácil perceber-se perfeccionista, por isto avalie seus comportamentos. Pessoas que apresentam estes traços são escravas do sucesso e dificilmente conseguem lidar com a frustração da derrota ou críticas a respeito do seu trabalho, afinal de contas elas acreditam que seu esforço deveria ser reconhecido pelos demais.
E o que fazer? Em primeiro lugar, é necessário definir prioridades muito claras e os alvos específicos que se pretende alcançar. O gasto de energia em coisas desnecessárias tende a diminuir rapidamente para quem sabe aonde quer chegar e consegue declarar isto com firmeza.
Dirigir energias para o processo é uma recomendação que a maioria das pessoas não se negaria a escutar, todavia o perfeccionista orienta todo o seu esforço para o “como fazer”, relegando o resultado pretendido a segundo plano. Diante disto, vale buscar inicialmente a eficácia (fazer as coisas certas) e só depois volver o olhar para a eficiência (fazer certo as coisas).
Além disto, é fundamental aceitar o fato de que não será possível acertar sempre e mesmo que as coisas não estejam “perfeitas” elas podem satisfazer as necessidades do cliente final. E é claro, aplicar o bom senso nas situações que pedem um olhar mais atento, pois a mediocridade é tão danosa quanto o perfeccionismo.
Na vida organizacional oferecer seu 100% nem sempre significa entregar o melhor, principalmente porque em muitas ocasiões, como o dito popular ensina, o ótimo é inimigo do bom
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Eu sou perfeccionista e luto contra essa doença (rs).
Obrigado pelas dicas...!
Abraço