A falsa aparência

Colunista: Carlos F.S. Lagarinhos  |  Publicado em: 18/01/2012 |  Leituras: 389

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Era já o finalzinho da Primavera. Os agentes estavam no seu carro a caminho da delegacia num longo e animado bate-papo. Lá fora algumas árvores ainda teimavam em deixar cair as últimas folhas. Eles tinham acabado de fazer um recadastramento num bairro próximo, estava na moda. Recadastravam-se mendigos, estrangeiros, ou seja, todos aqueles fora dos padrões considerados normais. De repente....
-Arnold, dá uma olhada ali na praça – disse o agente George.
-Um mendigo, o que é que tem?
-E o que nós mais estamos fazendo nos últimos dias, não é o tal do recadastramento dos diferentes? Vamos aproveitar e tirar um “sarrinho”desse aí, uái. - respondeu o agente George.
-Deixa ele para lá cara.- retrucou o agente Arnold.
-Aquele terreno ali pertence aquela casarona ali. Soube que foi um cara importante que comprou e de repente vai sobrar coisa boa para nós. Estamos protegendo a sua propriedade e ainda vamos recadastrar mais um inútil.-disse George.
Finalmente convencido o agente Arnold, eles param o carro e descem. O homem, com o cabelo despenteado, a roupa suja e com vários rasgos carregava um saco e ao ver os homens se aproximarem sentou-se num banco de concreto que havia ali, ao lado de um anão de jardim e de uma estátua, que jorrava água em forma de chafariz. Sentou-se tranqüilamente e esperou.
Os agentes Arnold e o truculento George desceram do carro e, com uma postura de dois valentes soldados indo para o “Front” de batalha, se aproximaram.
-Você aí - disse George – tem documentos? Tem lugar para morar?
O mendigo levantou a cabeça lentamente, os olhou e respondeu calmamente:
-Estou fazendo algo ilegal? É proibido sentar aqui?
-Quem pergunta aqui somos nós - responde rispidamente o agente George.
-Calma colega. Sem essa.... – completa o agente Arnold. Ele então pergunta:
-Senhor, tem alguma documentação? Sabe, é que nós estamos fazendo um recadastramento de pessoas desocupadas, estrangeiros, etc e gostaríamos de aproveitar e recadastrá-lo, ok?
O mendigo leva a mão ao bolso de trás da surrada calça e tira uma bonita carteira de couro o que já aguça os olhos dos dois agentes. Quando o mendigo a abre e retira a indentidade, mostra o pacote de dinheiro dentro. Aí então, é que os olhos dos agentes se arregalam. Nem eles tinham assim tanto dinheiro.
-Péra aí o cara, onde arrumou essa carteira cheia de dinheiro? – pergunta quase gritando o agente George.
-É minha caro agente, porquê? – pergunta o mendigo.
-Calma George, o que você faz na vida para conseguir uma carteira dessas e esse dinheiro? – pergunta o agente Arnold.
-Trabalho com aviação. – responde o mendigo.
-Você é ajudante de mecânico de avião, é? E ganha tudo isso? – pergunta sarcasticamente o agente George. – Acho melhor o levarmos para a delegacia.
-Não é melhor, checarem primeiro os meus documentos? Sim trabalho na aviação, mas como dono de uma empresa de táxi-aéreo e faço palestras pelo mundo inteiro relativas à área, sou especialista em motores a reação.
Então o agente George caiu na gargalhada e disse:
-Esse cara além de inútil para a sociedade é doido.
O agente Arnold se aproximou e pegou os documentos e para sua surpresa realmente aquele homem era o que dizia ser o que deixou o George com cara de “bundão”.
-Pode explicar isto tudo senhor? – pergunta Arnold.
-Sou engenheiro, apresento palestras técnicas pelo mundo inteiro, recebo em dólares e tenho uma empresa com vários aviões e percebo que vocês não ganham nem um terço do que eu ganho, mas têm a soberba maior do que tudo o que eu ganho.
-Desculpe senhor, mas pelas suas roupas....– tenta argumentar o agente Arnold.
-Caro agente, por você eu até entenderia, mas o seu amigo aí vê as pessoas pela aparência e aí, vocês denotam o que vocês realmente são, leões de chácara a serviço de políticos que não imaginam o que é a vida, que só pensam nos seus bolsos. Agora eu vou pedir que saiam daqui, ou têm algum mandato de busca?
-Olha você já está abusando da minha paciência. – responde George – você está em área pública e não é porque tem dinheiro que vai destratar uma autoridade.
-Pois fique sabendo que aqui eu sou a autoridade. Esta praça faz parte do terreno daquele casarão que eu acabei de comprar e eu estava aqui arrumando o jardim e preparando o material para amanhã os pedreiros construírem o muro que separa essa praça da rua em que vocês passavam. Sempre fui um homem de pôr a mão na massa e por isso estou nestas condições de mendigo como vocês disseram. Agora vou pedir para vocês saírem antes que me irrite e os processe por invasão. Porque não vão procurar os verdadeiros bandidos?
O não mais mendigo se levanta tranqüilamente, sorri para o agente Arnold e com sarro se despede do agente George e some no meio do jardim descuidado e precisando de uma reforma.

Era já o finalzinho da Primavera. Os agentes estavam no seu carro a caminho da delegacia num longo e animado bate-papo. Lá fora algumas árvores ainda teimavam em deixar cair as últimas folhas. Eles tinham acabado de fazer um recadastramento num bairro próximo, estava na moda. Recadastravam-se mendigos, estrangeiros, ou seja, todos aqueles fora dos padrões considerados normais. De repente....

-Arnold, dá uma olhada ali na praça – disse o agente George.

-Um mendigo, o que é que tem?-

E o que nós mais estamos fazendo nos últimos dias, não é o tal do recadastramento dos diferentes? Vamos aproveitar e tirar um “sarrinho”desse aí, uái.

- respondeu o agente George.

-Deixa ele para lá cara.- retrucou o agente Arnold.

-Aquele terreno ali pertence aquela casarona ali. Soube que foi um cara importante que comprou e de repente vai sobrar coisa boa para nós. Estamos protegendo a sua propriedade e ainda vamos recadastrar mais um inútil.

-disse George.Finalmente convencido o agente Arnold, eles param o carro e descem. O homem, com o cabelo despenteado, a roupa suja e com vários rasgos carregava um saco e ao ver os homens se aproximarem sentou-se num banco de concreto que havia ali, ao lado de um anão de jardim e de uma estátua, que jorrava água em forma de chafariz.

Sentou-se tranqüilamente e esperou.Os agentes Arnold e o truculento George desceram do carro e, com uma postura de dois valentes soldados indo para o “Front” de batalha, se aproximaram.

-Você aí - disse George – tem documentos? Tem lugar para morar?O mendigo levantou a cabeça lentamente, os olhou e respondeu calmamente:

-Estou fazendo algo ilegal? É proibido sentar aqui?

-Quem pergunta aqui somos nós - responde rispidamente o agente George.

-Calma colega. Sem essa.... – completa o agente Arnold.

Ele então pergunta:-Senhor, tem alguma documentação? Sabe, é que nós estamos fazendo um recadastramento de pessoas desocupadas, estrangeiros, etc e gostaríamos de aproveitar e recadastrá-lo, ok?O mendigo leva a mão ao bolso de trás da surrada calça e tira uma bonita carteira de couro o que já aguça os olhos dos dois agentes. Quando o mendigo a abre e retira a indentidade, mostra o pacote de dinheiro dentro. Aí então, é que os olhos dos agentes se arregalam. Nem eles tinham assim tanto dinheiro.

-Péra aí o cara, onde arrumou essa carteira cheia de dinheiro? – pergunta quase gritando o agente George.

-É minha caro agente, porquê? – pergunta o mendigo.-Calma George, o que você faz na vida para conseguir uma carteira dessas e esse dinheiro? – pergunta o agente Arnold.

-Trabalho com aviação. – responde o mendigo.

-Você é ajudante de mecânico de avião, é? E ganha tudo isso? – pergunta sarcasticamente o agente George.

– Acho melhor o levarmos para a delegacia.

-Não é melhor, checarem primeiro os meus documentos? Sim trabalho na aviação, mas como dono de uma empresa de táxi-aéreo e faço palestras pelo mundo inteiro relativas à área, sou especialista em motores a reação.

Então o agente George caiu na gargalhada e disse:-Esse cara além de inútil para a sociedade é doido.O agente Arnold se aproximou e pegou os documentos e para sua surpresa realmente aquele homem era o que dizia ser o que deixou o George com cara de “bundão”.

-Pode explicar isto tudo senhor? – pergunta Arnold.

-Sou engenheiro, apresento palestras técnicas pelo mundo inteiro, recebo em dólares e tenho uma empresa com vários aviões e percebo que vocês não ganham nem um terço do que eu ganho, mas têm a soberba maior do que tudo o que eu ganho.

-Desculpe senhor, mas pelas suas roupas....– tenta argumentar o agente Arnold.

-Caro agente, por você eu até entenderia, mas o seu amigo aí vê as pessoas pela aparência e aí, vocês denotam o que vocês realmente são, leões de chácara a serviço de políticos que não imaginam o que é a vida, que só pensam nos seus bolsos. Agora eu vou pedir que saiam daqui, ou têm algum mandato de busca?

-Olha você já está abusando da minha paciência. – responde George – você está em área pública e não é porque tem dinheiro que vai destratar uma autoridade.

-Pois fique sabendo que aqui eu sou a autoridade. Esta praça faz parte do terreno daquele casarão que eu acabei de comprar e eu estava aqui arrumando o jardim e preparando o material para amanhã os pedreiros construírem o muro que separa essa praça da rua em que vocês passavam.

Sempre fui um homem de pôr a mão na massa e por isso estou nestas condições de mendigo como vocês disseram. Agora vou pedir para vocês saírem antes que me irrite e os processe por invasão. Porque não vão procurar os verdadeiros bandidos?O não mais mendigo se levanta tranqüilamente, sorri para o agente Arnold e com sarro se despede do agente George e some no meio do jardim descuidado e precisando de uma reforma.

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