Os Chantagistas
Colunista:
Brian Lipczynski Martins | Publicado em:
24/02/2011 | Leituras:
2.030
É comum ter nas empresas, pessoas que usam a “chantagem” como meio de deter o poder, de se manter em uma posição organizacional de destaque. Geralmente, são pessoas que não treinam os outros, não são transparentes nas informações, nunca tiram férias, são aquelas pessoas “indispensáveis”. Essas pessoas se recusam a explicar as coisas de maneira detalhada e se orgulham de somente elas deterem informações consideradas primordiais, que acreditam ser de extrema importância para a empresa e que somente elas podem saber.
São pessoas que chegam atrasadas as reuniões, e acreditam que essa não pode ser iniciada sem a sua presença. Consideram-se imprescindíveis. Repassam as informações pela metade, nunca de forma clara. Retém como forma de conseguir mais prestígio.
Mas, dentro de uma empresa, as informações devem ser claras e transparentes a todos os níveis pertinentes. São elas que irão guiar as pessoas durante a execução das tarefas. É criar os motivos, ou seja, motivar as pessoas em busca de um objetivo comum. Em grande parte dos casos, as pessoas subordinadas, cumprem as tarefas sem saber realmente o que é esperado. Por exemplo, há executivos que não se reúnem e que tomam decisões sozinhos e acreditam ser o centro, o cérebro da empresa.
Utilizam-se do cargo ocupado, da posição dentro da empresa, para criar influencias. Ameaçam se demitir caso não sejam atendidos, porque a empresa compreende que essa pessoa é vital, mas será mesmo? Será que a empresa está ganhando com essa pessoa? Será que ela não transparece a falsa ilusão de “vestir” a camisa da empresa? Esse é um cuidado muito grande que deve haver, porque esse tipo de pessoa suga a energia da empresa, trunca os processos, e isso tira os motivos da equipe, e da empresa num âmbito mais global.
Com esse ambiente de chantagem, essas pessoas acabam por ter seus chefes em suas mãos. Em grande parte ficam em contato direto, ligam a todo o momento, se alguém vai conversar com o diretor, por exemplo, essa pessoa acha algum pretexto para entrar junto, arranja uma “informação” e acaba ficando em meio a conversar ora particular.
Essas pessoas são inseguras, bajulam a todos, inclusive, matém um grupo com aspecto diferente dos demais. E para manter a condição de chantagistas, se tornam altamente proativas, ou seja, exageram nisso como forma de obter maior poder de persuasão diante das chefias.
Dessa forma, a empresa acaba perdendo talentos promissores e talentos já lapidados, porque o “chantagista” não deixa de forma alguma que pessoas diferentes do seu grupo cresçam, e mesmo essas, do seu grupo, crescem em doses homeopáticas. Isso impacta diretamente no alcance dos objetivos da empresa, na forma com que a empresa irá se desenvolver, e na energia a mais que a empresa terá que dispor para se manter competitiva, procurando reter seus talentos.
Cuide, analise, converse com pessoas imparciais, alheias ao seu dia-a-dia. Quem está de fora tem uma percepção diferente, enxerga algo mais que no cotidiano não se percebe. Mantenha sua equipe, sua empresa, num rumo comum, onde todos têm acesso às informações necessárias e completas, onde todos possam ter motivos para seguir adiante, onde todos possam participar com alegria e se destacar pelo seu talento.
Se existem “profissionais” assim, e que não esboçam nenhuma mudança quanto ao hábito, livre-se deles o mais breve possível, antes que seja tarde demais. Se por acaso, você for um desses “chantagistas”, mude o quanto antes, todos sabem da sua vulnerabilidade, e mais cedo ou mais tarde acabará por sair de cena. Num mundo competitivo, dinâmico, em que a velocidade das informações é proporcional ao desempenho das empresas, não há lugar para pessoas com esse perfil.
Até a próxima!!!
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