Relações - Manipulação e Mudança de Abordagem

Colunista: Ana Carla Castello  |  Publicado em: 08/02/2012 |  Leituras: 536

Cadastre seu e-mail e receba nosso informativo!

Há muitos anos atrás trabalhei em uma empresa que contratou um profissional para realizar aquele ajuste de comportamentos dos colaboradores para promover o crescimento da equipe.

Recebemos aulas, fizemos dinâmicas bastante emotivas, escrevemos nossos sentimentos, alegrias e pecados, anotamos opiniões sobre os colegas e fizemos o tal do feedback (devolutiva sobre algo).

Enquanto isso o profissional fazia avaliações sobre nosso comportamento e anotava nossos perfis em fichas individuais.

O profissional finalizou o trabalho, deixando avaliações sobre cada participante para que o representante do RH repassasse essa avaliação para nós. Quando ouvi minha avaliação, me lembro de ter perguntado qual o contexto para que aquela avaliação tivesse se tornado “verdade” (foi isso que ele ensinou no treinamento), e a resposta que tive foi a de que eu estava sendo reativa e não queria encarar os fatos. Passei um tempão tentando ajustar os conceitos de fato e  impressão. Minha reação imediata foi: Se não posso conhecer o contexto, vou desconsiderar, mesmo que venha de um Super Qualificado.

E, daquele momento em diante adotei um comportamento focado em tarefas e relações profissionais vinculadas somente aos temas em questão naquela empresa.

E hoje, lembrando de cenas, sei que esse “sentimento” não era só meu. As queixas nos corredores eram uma forma de afogar as mágoas, de maneira improdutiva, é claro, mas aliviavam as frustrações.

Impressões que armazenei na memória a partir dessa experiência:

  • Quando a concordância não acontece, você pode ser acusado de resistente e de não querer encarar os fatos.
  • Os ambientes, especialmente os empresarias, estão “carregados” de disputa pelas próprias opiniões por meio de seleção de argumentos que fortaleçam suas verdades.
  • Estamos mais acostumados a defender nossas interpretações do que investigar o raciocínio que dá embasamento à nossa verdade.

À medida que fui trabalhando em outros ambientes, percebi o esforço para que as impressões anteriores não contaminassem minhas relações pessoais e profissionais e esse esforço é um dos maiores que conheci.

Desde então, leio, estudo e pesquiso na vida real o seguinte: Como dizer o necessário e fazer com que funcione?

Não tenho a pretensão de ter a resposta, mas a cada novo aprendizado o tema me envolve ainda mais. E, ao longo das leituras e percepções posso interpretar que:

  • Às vezes diluímos a verdade para não ofender. Outras vezes assistimos ou participamos de um conjunto de ofensas honestas em nome da verdade.
  • Discursar sobre nossas opiniões ou compartilhar nossos sentimentos não significam dizer a verdade.
  • Contribuir para que a “verdade” se estabeleça passa obrigatoriamente por explorar os pontos de vista das verdades alheias, perguntar, interpretar o contexto e entender com interesse real opiniões diferentes das nossas.

Qual a diferença entre manipular a informação e mudar a abordagem?

manipulação tende a desconstruir relações desde as pessoais até as mais profissionais por substituir a possibilidade de um relacionamento verdadeiro por uma convivência de espionagem, sondagem e contra-estratégias que podem ter dois extremos:

  • Suavizar a verdade é uma espécie de manipulação: Camuflar situações difíceis com gentilezas, cortesia. O famoso Deixa disso, sempre fomos parceiros!!!.
  • Explodir em fúria e criar o senso de urgência: Durante muito tempo, pouco foi feito para corrigir o rumo das tarefas e comportamentos e aqueles pequenos pecados que eram frequentemente cometidos e tolerados se tornam verdadeiros monstros e sobram muito poucas pessoas com quem contar na hora crítica.

A manipulação funciona no curto prazo, mas tende a causar ressentimentos que comprometem resultados no longo prazo.

A manipulação está direcionada a explorar a experiência interior/íntima da pessoa para que a pessoa faça o que queremos.

mudança de abordagem tem um foco de adaptar o assunto ao ouvinte considerando uma linguagem compreensível e relacionada a um vocabulário que permita explorar opções.

O importante está em conseguir administrar os próprios pontos de vista:

  1. Ter uma bela noção de que nem sempre vai receber algo do tamanho das suas expectativas.
  2. O impacto disso e decidir o que fazer com essa informação.
  3. Colher os frutos da escolha de encarar ou ignorar.

Enfim, o tema é vasto e inesgotável.

Aqui vai uma pequena contribuição de interpretações e sugiro uma exploração maior do tema por parte de todos aqueles que buscam relações pessoais e profissionais bem embasadas.

Creative Commons Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Citando nome do autor, data, local e link de onde tirou o texto). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
De sua nota!
NR. DE VOTO(S): [2]

 

twitter 1431
seguidores
rss
Warning: curl_setopt() [function.curl-setopt]: Unable to access cookie.txt in /home/qualida/public_html/repositorio/php/sn_feedburner.php on line 25

assinantes

comentar

Preencha o formulário para comentar:

[x] Fechar
Nome:*
E-mail:* (não será exibido)
Site: (http://)
Comentário:*
Anti-spam:

(nova imagem)
Preencha o que vê:

Deseja receber as respostas dos comentários

Seja o primeiro a comentar