O lucro no divã

Colunista: Ivan Postigo  |  Publicado em: 23/12/2011 |  Leituras: 217

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Como se sentiria o lucro se fosse uma pessoa e lhe disséssemos: - Você é prejudicial à saúde da empresa!

Certamente ficaria maluco tentando entender o que estava acontecendo, ou, quem sabe, entraria em crise existencial!

O lucro, muitas vezes, age como aquele pai, mãe, tio, avô, que, cheio de boas intenções, não contribui muito na formação do protegido.

A mesada é cortada porque o acordo firmado não foi cumprido, mas escondidos eles fornecem o dinheiro.

Considere que você tem um funcionário que falta, chega sempre atrasado, então, não só espera, mas determina que o RH de sua empresa faça os devidos descontos na folha de pagamento, mas não vê sua ordem acatada. Estes ficam preocupados com a falta que essa verba fará na vida do cidadão.

Sabe quando ele vai se corrigir?

As situações podem variar, desde pequenas peraltices até casos bastante sérios.

O trabalho em consultoria nos ensina a oferecer o ombro, então vivenciamos e participamos de momentos bons e ruins, empresariais e pessoais.

O pior momento em que uma pessoa pode estar envolvida como ator ou como expectador é quando a droga se faz presente.

Infelizmente, vários amigos, clientes e conhecidos, enfrentaram e enfrentam o inferno de ver o filho dependente.

Um deles, que acabou perdendo o garoto, me dizia: - Ainda hoje me pergunto se fiz tudo que poderia ter feito. Acabamos nos dividindo, tentando ajudá-lo, mas acredito que podemos ter cometido um mal maior. Enquanto um tentava manter um forte controle de suas saídas, o outro dizia que não queria ser o vilão. Permitia as escapadas e até fornecia dinheiro. Acabou da pior forma.

Paramos de nos culpar, não porque chegamos a um entendimento, mas porque não mais conseguimos conviver.

Falemos do lucro, aspecto complexo, mas não tão dramático.

O lucro pergunta ao seu analista: - Que mal faço? Só procuro levar o bem às empresas e às pessoas. Reconheço que sou exigente e preciso de multiplicação, mas também quanto maior mais posso oferecer.

Empresa é um organismo que necessita de evolução, e rápida. Na década de oitenta dávamos os primeiros passos para o uso efetivo dos computadores pessoais, hoje é impossível não ter um.

No início dessa década, o controle de caixa em planilhas não era possível. A memória do computador não permitia uma planilha com pouco mais de quarenta linhas e trinta e um dias.

Em muitos cursos de linguagem basic o recurso de gravação eram fitas cassetes. Sim, as mesmas usadas para gravar músicas, e eram operadas na mesma velocidade.

Você consegue imaginar isso hoje?

Pense comigo: - Que fim tiveram as empresas que não se atualizaram e continuaram fabricando aqueles computadores e aquelas fitas?

Como tudo era novidade, elas tinham lucro. Se alguém lhes dissesse que tinham que evoluir, poderia ouvir: - Para que se estamos bem, geramos lucros todos os meses?

Gosto de biografias e histórias empresariais, pois o passado diz muito sobre o futuro. A ignorância de muitos levou à fogueira a sabedoria de poucos.

O diabo é ciumento, individualista, considera essa uma tarefa exclusiva dele e não gosta de concorrência. Cada vez que queimamos um sábio, ele se põe contra nós e reserva dias piores. Não porque se importe com estes, mas porque se importa com ele.

Diz o analista ao lucro: - Que fariam as pessoas se você se retirasse?

Este diria: - Provavelmente reagiriam, sairiam da cômoda posição, buscariam novas soluções, provocariam revoluções. Nem todos, alguns se deixariam levar pelo desânimo.

Pensa o analista e comenta: - E se você mostrasse apenas mau humor? Dá umas escapadas e volta, deixando sempre uma ponta de esperança.

O lucro com olhar matreiro responde: - Ah, seria muito interessante, vai provocar muito mais!

Encerrada a sessão, levanta-se do divã e segue matutando o que fará para que as empresas o tratem com atenção e o multiplique.

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