Construindo uma visão pessoal

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Por que o trabalho não pode ser uma daquelas coisas maravilhosas que a vida lhe proporciona? O que você tem feito para tornar a vida mais desafiadora e prazerosa? O que você gostaria de fazer pelos próximos quarenta ou cinquenta anos, algo do qual pudesse se orgulhar? Como você gostaria de ser lembrado pelos descendentes? Essas são algumas das perguntas que fiz a mim mesmo quando decidi escrever e incorporar a minha visão de futuro. E continuo fazendo para não perdê-la de vista.

No meu último livro - Manual do Empreendedor (Ed. Atlas) – dediquei um capítulo inteiro ao entendimento da visão. Quando falo de visão, não me refiro apenas àquela que estamos acostumados a observar de vez em quando nos corredores das empresas. Penso na visão criada com a consciência necessária para transformá-lo num ser humano melhor, mais produtivo e mais comprometido com a melhoria do ambiente ao seu redor.

A visão pessoal vem de dentro. Por mais que você fale, entenda e utilize o processo de construção de uma visão pessoal ou mesmo de uma visão de negócio, ela nunca será colocada em prática se for elaborada sem emoção e se não for injetada na sua corrente sanguínea. A maioria das pessoas possui uma visão limitada sobre isso. Elas falam de objetivos, metas, valores e planos de ação, mas isso não é visão. Se você perguntar a elas o que realmente desejam, a resposta não será diferente de “um emprego melhor” ou “uma casa melhor” ou ainda “um carro melhor”.

Nas palavras de Peter Senge, autor de A Quinta Disciplina, não se pode entender a verdadeira visão sem levar em consideração a idéia de propósito. E por propósito, entende-se a razão de viver de uma pessoa. Penso que todo ser humano deve ter um propósito, entretanto, propósito ainda é diferente de visão. Segundo Senge, “o propósito é abstrato; a visão é concreta; propósito é semelhante a um direcionamento geral; visão é um destino específico, uma imagem de futuro muito desejado.”

Uma das maiores dificuldades para se manter a visão pessoal, ainda que esta seja muito clara, é a distância entre a visão e a realidade. Você gostaria de montar o próprio negócio, mas logo pensa que não tem dinheiro suficiente. Você gostaria de ser um grande pesquisador, mas seu pai era advogado e você também acabou se tornando para agradá-lo. Você deseja ser escritor de ficção científica, mas precisa sobreviver e pagar as contas. Dependendo do ângulo de observação, a missão o estimula e ao mesmo tempo sufoca suas esperanças.

A falta de alinhamento entre a visão (aquilo que você quer) e a realidade atual (o que você não quer ou não gosta) provoca medo, frustração e desesperança, além de roubar-lhe tempo e energia vital. Embora você possa estar vivendo uma fase de transição, dificilmente haverá de recuperar o tempo canalizado para fazer algo que nada tem a ver com a sua verdadeira essência ou vocação.

Talvez você tenha medo do fracasso, dos comentários maldosos, das bobagens que você lê nas revistas, das críticas que você ouve pelos corredores, do ceticismo dos seus colegas e até mesmo dos seus familiares. Talvez você ache esse negócio de visão e missão uma grande bobagem, coisa de americano, algo difícil de ser aplicado na vida pessoal, principalmente quando comparado às dificuldades que você enfrenta para entender a própria visão e a missão da empresa em que você trabalha.

A questão é simples: não é o que a visão é, mas o que a visão é capaz de fazer com você. Na maioria dos casos, as pessoas querem uma fórmula mágica, uma técnica, um segredo capaz de resolver todos os seus problemas. Para o seu próprio bem, não existe esse tal de almoço grátis, portanto, você precisa mudar o seu comportamento, desenvolver novas habilidades, quebrar paradigmas, livrar-se de modelos mentais negativos e transformar a si mesmo todos os dias. Você jamais conseguirá definir e perseguir uma visão de futuro sem mudar de mentalidade.

Por que você precisa de uma visão pessoal? Quando você estabelece uma visão genuína, você é capaz de dar tudo de si e aprender o que for necessário para atingi-la, não porque você é obrigado, mas porque deseja aquilo do fundo do seu coração. Infelizmente, muitas pessoas têm visões que nunca serão traduzidas em resultados práticos. Assim, elas se dedicam a admirar pessoas famosas em vez de construir a própria história, a criticar o esforço alheio em vez de tentar algo para si, a desfazer a visão alheia em vez de construir a sua própria visão.

Minha recomendação é simples. Não ignore a importância da visão e da missão pessoal. O que vale para as empresas vale para você também. Uma visão de futuro bem definida, apoiada por uma boa missão, tem o poder mudar a sua vida para sempre. Digo isso com conhecimento de causa, motivo pelo qual tomei a feliz iniciativa de compartilhar a minha experiência. A seguir estão algumas perguntas esclarecedoras que o ajudarão a definir a sua visão pessoal:

  • O que você quer ser quando crescer?
  • Qual a motivação (vocação) que o impulsiona para o futuro?
  • Quais os seus valores essenciais?
  • O que você pode fazer melhor para agregar valor à vida das pessoas?
  • Quais as habilidades, os valores e as virtudes que você deve adotar para atingi-la?
  • Quais as expectativas e as necessidades do público que você deseja atender?
  • A quem você deve recorrer para ajudá-lo a construir e consolidar uma visão de futuro duradoura?
  • É isso que você gostaria de fazer até o fim da vida?

Leva-se muito tempo para descobrir a verdadeira vocação. Muitas pessoas viverão a vida sem descobri-la e isso não as invalida como cidadãs, pois, de uma forma ou de outra, representam o seu papel na humanidade. Construir uma visão que faz sentido e agrega valor no mundo exige uma transformação de ordem pessoal, razão pela qual a mudança precisa ter como motivação um objetivo nobre, acrescida de disposição para subordinar aquilo que você pensa que quer no momento ao que realmente quer no futuro.

Por fim, lembre-se de que desejos e necessidades são inerentes aos seres humanos. Transformá-los em objetivos de vida e conquistá-los de maneira ética é o que diferencia os grandes realizadores dos realizadores medíocres. O caminho para a conquista nunca é o caminho que proporciona menos preocupações. Quando eu defini a minha visão pessoal, nunca me preocupei se seria ou não capaz de atingi-la. Eu comecei a trabalhar arduamente para isso. Pense nisso e seja feliz!





Jerônimo Mendes Jerônimo Mendes  /  Site do autor  /  Gestão  / Data: 05/05/2010  / Views: 7.206 / Mais artigos deste colunista

Administrador, Coach Empreendedor, Escritor e Palestrante. Autor de Manual do Empreendedor (Atlas), Empreendedorismo para Jovens (Atlas), Benditas Muletas (Vozes) e Oh, Mundo Cãoporativo! (Qualitymark)...