Gestão nas Organizações do Terceiro Setor

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Como se articulam as organizações do Terceiro Setor para garantir a efetividade em sua gestão? Esse é um dos questionamentos feito pelos gestores à frente das associações e organizações não governamentais – ONGs, que vêem o Terceiro Setor como sendo uma consequência da revolução nos papéis sociais tradicionais, em que a sociedade torna-se mais participativa, não deixando apenas a cargo do Estado o trabalho que garante o bem-estar das pessoas. Com o foco voltado para o desenvolvimento sustentável das comunidades em geral, inclusive as de baixa renda, surge como a efervescência o papel do empreendedor social.

O empreendedorismo empresta uma eminente contribuição na profissionalização da gestão no âmbito do Terceiro Setor, faltando, porém, a cultura da sistematização das atividades, assim como do acompanhamento das tendências sobre as melhores práticas de gestão efetiva. A profissionalização do setor parece ser crucial para a sobrevivência das organizações da área. Precisamos levar em consideração a cultura. Conhecer os valores do outro e verificar qual é o grau de compatibilidade entre as culturas.

Para constituir o fortalecimento da gestão é necessário avaliar a gerência dos empreendimentos sociais; identificar por meio do “modelo trevo” - engloba informação, serviços e processos, recursos e relacionamento, - as relações que caracterizam uma boa gestão nas organizações sem fins lucrativos e analisar os desafios de gestão das organizações, por meio das dimensões do empreendedorismo social. Seu papel é fundamental para manter sua existência e o equilíbrio das práticas como: finanças, planejamento, marketing, recursos humanos.

Sob o ponto de vista de um dos maiores mestres da Administração, Peter Drucker afirma que as próprias instituições sem fins lucrativos reconhecem que devem ser gerenciadas exatamente por que não têm “lucro convencional”. Elas precisam aprender a utilizar a gestão como ferramenta, para que esta não as domine, caso contrário, os gargalos irão surgir e prejudicar a efetividade das organizações. Hoje, começaram a se apropriar também das ferramentas e ações que elevam suas características a resultados.

Segundo Drucker, em todas as organizações do terceiro setor, o ’resultado final’ é medido em vidas transformadas. A organização filantrópica é responsável pelo melhor desempenho interno – pelo marketing eficaz, pela administração exemplar, – mas sempre com o foco central em seu resultado final. Fica claro que as ONGs, apesar de se declararem não lucrativas, também são independentes e autogeridas, como as empresas e mercados, por isso da necessidade também de capacitar seus colaboradores.

A busca por novas ferramentas de gestão está oportunizando a reavaliação das rotinas e procedimentos administrativos que ajudarão no cumprimento da missão. Similarmente às empresas e as organizações procuram apropriar-se de processos que contribuam para uma melhor administração dos recursos humanos, dos serviços prestados, dos recursos financeiros e materiais, e, fundamentalmente, atender cada vez melhor ao seu público. 

Criado para quebrar o paradigma da exclusão social surge o empreendedorismo social como alternativa para combater esses problemas, caracterizando-se como um novo modelo do desenvolvimento. Para tal acontecimento, são necessários que os empreendimentos sociais superem desafios que decorrem de condicionamentos sociais, econômicos, políticos e, sobretudo, culturais e ambientais.

As práticas de gestão desenvolvidas no empreendedorismo social têm contribuído positivamente para a construção do novo paradigma de gestão e desenvolvimento para as organizações do Terceiro Setor. No Ceará, por exemplo, algumas organizações já se encontram atendendo aos princípios da gestão efetiva, representada pela capacidade de coordenar esforços e energias, com vistas ao alcance dos resultados de forma permanente.

Embora haja muito a ser feito, algumas universidades públicas e privadas, por exemplo, têm efetivamente apoiado ações voltadas ao terceiro setor. As soluções advindas das novas abordagens sociais estão ligadas ao mundo da gestão, criando um caminho fácil e rápido para o alcance de metas, desde o equilíbrio financeiro, avaliação precisa de projetos, e principalmente, mobilização de voluntários e perpetuidade.

Este tema foi abordado no XXXIII Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração – EnANPAD. Maiso Dias é também autor do livro Sustentabilidade das Organizações sem fins lucrativos” .




Maiso Dias Maiso Dias  /  Site do autor  /  Gestão  / Data: 05/03/2012  / Views: 3.161 / Mais artigos deste colunista

Formado em Contabilidade, Bacharel em Ciências Contábeis – UNICAP, Pós-Graduado em Gerência de Marketing – UECE, Mestre em Administração de Empresas pela Universidade de Fortaleza - UNIFOR. Atua como Consultor da Gomes de Matos Consultores Associados, Professor das Disciplinas de Empreendedorismo do curso de Administração da Faculdade Sete de Setembro – FA7, Executivo de Vendas por 5 Anos no Grupo Bompreço Supermercados S/A – Wal-Mart, Instrutor/...