Akio Morita e a Sony

Colunista: Jerônimo Mendes  |  Publicado em: 23/02/2012 |  Leituras: 345

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Em 1947, os Laboratórios Bell anunciaram ao mundo a invenção do transistor, um componente que viria a substituir a válvula de vácuo, especialmente na linha eletrônica de consumo, como o rádio e a televisão. De acordo com Peter Drucker, todos os fabricantes americanos sabiam disso, mas não deram importância, pois imaginavam que a utilização do transistor seria consolidada somente por volta de 1970, vinte anos depois.


Na época, a Sony era praticamente desconhecida fora do Japão. Aliás, a empresa foi fundada em 1946 por Masaru Ibuka e Akio Morita com o nome de TTK (Tokyo Tshushin Kyogu) mediante um empréstimo de 530 dólares. Em 1953, Morita leu sobre o transistor nos jornais e, por conta disso, viajou para os Estados Unidos a fim de adquirir uma licença de uso dos Laboratórios Bell por apenas 25 mil dólares, uma quantia ridícula considerando o resultado proporcionado posteriormente. Essa foi a primeira grande visão de Akio Morita.

 

Dois anos depois, a Sony lançou o primeiro rádio transistor, o modelo TR-55, em quantidade limitada e com produção restrita ao Japão. O rádio pesava menos de um quinto dos rádios com válvulas comparáveis existentes no mercado e um custava menos de um terço do que os concorrentes. Três anos depois, a Sony dominava o mercado de rádios de baixo custo nos Estados Unidos e, cinco anos mais tarde, os japoneses dominavam o mercado mundial de rádios transistorizados.

 

O primeiro rádio da TTK para exportação foi o modelo TR-63, produzido em 1957. O TR-63 tinha um design genuinamente inovador e era comercializado em embalagem de presente, dentro de um estojo de couro macio, com flanela antiestática e acompanhado de um moderníssimo fone de ouvido. Era tudo o que o consumidor estrangeiro poderia desejar numa época em que mais por menos fazia muita diferença.

 

Em 1958, já consolidado no mercado norte-americano, Akio Morita fez com que o nome da empresa fosse mudado. Como defensor entusiasmado da globalização, Morita percebeu que o nome Tokyo Tshushin Kyogu seria um grande obstáculo para a conquista de novos mercados, portanto, precisava de algo que fosse reconhecido em qualquer lugar do mundo, de fácil pronúncia em qualquer língua. A mudança do nome para Sony foi a segunda grande visão de Morita.

 

A palavra Sony era uma combinação da palavra “sonus” que em latim significa som, e do termo coloquial “sonny” atribuído ao jovem americano da época. Tempos depois, quando perguntaram aos comerciantes norte-americanos, durante uma pesquisa, se eles já haviam comercializado rádios japoneses, a resposta foi um sonoro “não”. Entretanto, quando perguntados se já haviam comercializado rádios Sony, a resposta foi um inequívoco “sim”. A estratégia de Morita funcionou.

 

Ao longo do tempo, a Sony produziu um fluxo constante de produtos eletrônicos inovadores: na década de 1950, criou o rádio de bolso e o gravador, seu primeiro produto mais importante fabricado no Japão; na década de 1960, produziu a primeira televisão totalmente transistorizada do mundo e a primeira videocâmera.

 

Na década de 1980, ao tomar conhecimento de que as vendas do primeiro toca-fitas portátil haviam fracassado, Morita utilizou o fato como desculpa e mudou o nome do produto para Walkman no mundo inteiro. A partir de uma nova visão de negócio, a palavra Walkman tornou-se sinônimo de qualidade e de praticidade.

 

Ao lado de Masaru Ibuka, Akio Morita construiu uma das maiores empresas do mundo, famosa por seus produtos sofisticados em miniatura. Apesar de não ter inventado o transistor, os japoneses fizeram dele o impulso para projetar o país no mundo da eletrônica e o restante é história. Entretanto, a maior contribuição de Akio Morita foi demonstrar aos empreendedores que uma visão de negócio é uma virtude extremamente importante para o sucesso de qualquer empreendimento. Quando o negócio estiver claro na mente, o sucesso será apenas uma questão de tempo.

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