8.3 Controle de Produto Não Conforme

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Olá pessoal, dando continuidade aos esclarecimentos dos itens da ISO 9001:2008, estaremos fazendo hoje um passeio pelo item 8.3 Controle de Produto Não Conforme.

 

Antes de iniciarmos o item, vamos deixar claro o que é um Produto Não Conforme: Basicamente seria o resultado insatisfatório de um processo, produtos que não atendem a requisitos ou padrões especificados.

 

8.3 Controle de Produto Não Conforme

 

A organização deve assegurar que produtos que não estejam conformes com os requisitos do produto sejam identificados e controlados para evitar seu uso não intencional ou entrega não pretendidos. Um procedimento documentado deve ser estabelecido para definir os controles e as responsabilidades e a autoridade relacionadas para lidar com produto não conforme.

 

Neste parágrafo a norma deixa claro que o produto não conforme deve ser identificado, está identificação pode ser no recebimento de matérias-primas e insumos, durante a produção (produtos em processo), produto acabado e produtos após ser entregues aos clientes. Para o controle do produto não conforme um procedimento documentado deve ser estabelecido, explicitando inclusive quais as funções que podem lidar com os produtos não conformes, normalmente são funções que detém conhecimento e responsabilidades nos processos causadores dos produtos não conformes.

 

O motivo pelo qual o produto não conforme deve ser identificado e controlado seria de evitar que chegue ao cliente, evitando assim sua insatisfação e prejuízos (este para ambas as partes).

           

Onde aplicável, a organização deve tratar os produtos não-conformes por uma ou mais das seguintes formas:

 

Sempre que houver a frase “Onde aplicável”, o item da norma deve ser seguido na íntegra, caso se aplique a situação.     

 

Execução de ações para eliminar a não-conformidade detectada;

 

O que iremos fazer com produto não conforme (qual será o seu destino), a ação depende muito do tipo de produto e não conformidade detectada, as mais usuais são: devolver (normalmente matérias-primas), sucatear, reclassificar (mudar de classe, ou seja, o produto necessitaria de classificação 1, não foi possível, reclassifica-o como 2 ou 3), liberar sob concessão (produto com permissão para o uso ou liberação que não atenda aos requisitos especificados, porém por tempo ou quantidade especificada) e por último aplicar retrabalho.

 

Autorização do seu uso, liberação ou aceitação sob concessão por uma autoridade pertinente e, onde aplicável, pelo cliente;

 

Um produto não conforme pode ser utilizado na produção, para isso uma autoridade pertinente deve analisar o grau do desvio encontrado neste produto, e se esse desvio não oferece risco ao produto a ser fabricado, em alguns casos o cliente deve ser consultado sobre o produto não conforme para autorizar a entrega deste produto.

 

Vamos a um exemplo prático:

 

Um determinado produto possui especificação de largura de 1,30m a 1,33m, após a fabricação esse produto obteve largura de 1,29m, será que esse centímetro a menos vai ocasionar problema ao produto que será fabricado? Por isso em alguns casos o cliente deve ser consultado.

 

Execução de ação para impedir seu uso ou aplicação originais;

 

O produto não conforme deve ser segregado dos demais e identificado de forma adequada enquanto não se decide qual o seu destino, pode ser segregado em área específica, isolado por fitas zebradas, identificado por etiquetas que normalmente são de cor vermelha, esses bloqueios devem ser citados em algum procedimento.

 

Execução de ação apropriada aos efeitos, ou efeitos potenciais, da não-conformidade quando o produto não conforme for identificado após entrega ou início do uso do produto.

 

Neste caso a organização deve informar o cliente sobre o ocorrido para que tomem as providências cabíveis, ou se o cliente reclamar de algum lote específico ou fornecimento.

 

Esta situação de produto não conforme identificado após a entrega ou após o uso pode ocorrer sim, as verificações de processo e de produto normalmente são realizados por amostragens, pode acontecer que entre uma amostragem e outra passou-se algum fora da especificação, as ações tomadas normalmente pela organização para esse caso específico seria a reposição ou troca desses produtos com o cliente, quando o produto não conforme já chegou ao consumidor (usuário), uma medida que pode ser utilizada é o recall.

 

Apenas um lembrete, o produto não conforme identificado após a entrega deve ser exceção, o SGQ deve garantir ao máximo que esse tipo de situação não ocorra com facilidade.

                       

Quando o produto não-conforme for corrigido, esse deve ser submetido à reverificação para demonstrar a conformidade com os requisitos.

 

Nos casos de materiais em que a ação a ser realizada seja um retrabalho ou reparo no produto não conforme, esse produto deve passar por nova análise, pode ser por amostragem, isso a organização define, o importante aqui é verificar se esse retrabalho obteve ou não o objetivo atingido, que seria torná-lo conforme os requisitos.

 

Devem ser mantidos registros sobre a natureza das não-conformidades e quaisquer ações subseqüentes executadas, incluindo concessões obtidas (ver 4.2.4).

 

Todas as ações executadas em produtos não conformes devem ser registradas, é interessante se formar um histórico das não conformidades para se tomar às ações corretivas (RAC´s), os registros podem ser desde formulários de Relatório de Não Conformidade ou outros definidos pela organização.




Armédio Nery da Silva Armédio Nery da Silva  /  Site do autor  /  Iso 9001  / Data: 31/05/2009  / Views: 29.715 / Mais artigos deste colunista

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