ISO 9001 - Selecionando e Qualificando Fornecedores 2
Colunista:
Mauricio de Oliveira | Publicado em:
30/08/2011 | Leituras:
2.208
Sabemos que a cadeia de suprimentos corresponde à integração, direta e indireta, de todas as entidades envolvidas na produção e entrega de um produto ou prestação de um serviço no cliente final. Atualmente, um grande desafio para as empresas se encontra no gerenciamento de sua respectiva cadeia de suprimentos, de maneira que ela atenda as necessidades de seus clientes. O sucesso de uma cadeia de suprimentos depende diretamente da eficiência operacional de seus fornecedores, uma vez que parte das vendas corresponde ao custo de aquisição de matéria-prima, produto semi-acabado ou acabado. A seleção de fornecedores é uma atividade importante para a formação da cadeia de suprimentos.
Por outro lado, para cumprir o item 7.4 da ISO 9001, a organização deve assegurar que o produto adquirido está conforme com os requisitos especificados de aquisição. O tipo e extensão do controle aplicado ao fornecedor e ao produto adquirido devem depender do efeito do produto adquirido na realização subseqüente do produto ou no produto final. A organização deve avaliar e selecionar fornecedores com base na sua capacidade em fornecer produtos de acordo com os requisitos da organização. Critérios para seleção, avaliação e reavaliação devem ser estabelecidos.
Tudo isto está claro na norma. Respondendo, então, ao ilustre leitor Carlos Eduardo Cardoso, fica claro que a ISO 9001 não engessa o processo de qualificação de fornecedores; portanto pesquisas, certificações, visitas técnicas, auditorias, verificação de documentação e etc, formam boa base de avaliação, sem dúvidas. O que a norma exige é que existam evidências de que isto realmente ocorre; portanto devem ser mantidos registros comprobatórios dos resultados destas avaliações e de quaisquer ações necessárias, oriundas da avaliação, e estes registros devem estar consoantes com o item 4.2.4, que trata do assunto Documentação. Ou seja, todo o escopo do artigo se baseava num processo de compras em ambiente ISO 9001, até porque fora disto seria o caos. Portanto, a organização deve ter uma preocupação constante com a qualidade do que é incorporado ao seu produto ou serviço, e quanto ao tipo e extensão do controle, a organização tem total liberdade de definir o que precisa ou não ser controlado.
Contudo, o foco da qualidade costuma muitas vezes estar dirigido apenas às especificidades do produto adquirido, ou seja, o atendimento cem por cento do que foi especificado no pedido; mas o conceito de qualidade tem que ser também focado no cumprimento do prazo. Um produto entregue todo certinho, bonitinho, embrulhadinho com fitinhas cor-de-rosa, duas semanas depois do prazo, na fábrica, ou pior, no canteiro de obras é nitroglicerina pura, com altíssimo teor destrutivo de cronogramas e de medições de avanço de obra, gerando enormes problemas de faturamento. Portanto, avaliar bem o fornecedor e a sua capacidade de atender no prazo solicitado é da maior importância, ainda que usando o check list.
De quebra isto responde também ao não menos ilustre leitor João Guilherme, que entende que a melhor forma de avaliar o fornecedor seria no ato do recebimento do material, “pois assim teríamos uma inspeção cem por cento”. Mas aí é que a vaca torce o rabo no conceito de qualidade acima descrito: como fazer a inspeção no recebimento se o material não tiver chegado? Qualidade no cumprimento dos prazos é tão ou mais importante que o cumprimento das especificações. A qualificação do fornecedor tem por objetivo evitar exatamente estes tipos de problemas, garantindo, na verdade aumentando a margem de certeza, que o pedido vai ser atendido obedecendo as especificações e aos prazos. Além disso, a norma ISO 9001 não passa batido pela inspeção no recebimento. De fato ela diz que a organização deve estabelecer e implementar inspeção ou outras atividades necessárias para assegurar que o produto adquirido atende aos requisitos de aquisição especificados.
A inspeção de recebimento é fundamental para garantir que o processo de aquisição finalizou de maneira adequada e é prática comum. A forma de execução e os critérios utilizados dependerão da estrutura da organização, da criticidade do material adquirido, etc.
Já a inspeção no fornecedor sempre deve ser comunicada como requisito da compra, sem isso o fornecedor não é obrigado a receber ninguém em suas dependências para executar verificação do material ou de outras informações referentes ao negociado. Por isso é comum observar em requisições ou contratos de fornecimento uma cláusula que dá total liberdade ao cliente de visitar e inspecionar o produto ou o processo nas dependências do fornecedor. Todavia, o assunto inspeção de qualidade no recebimento propriamente dita é um capítulo à parte e tem a ver com controle de qualidade, e o assunto qualificação de fornecedores tem a ver com o sistema de gestão da qualidade, como um todo. Ter uma cadeia de suprimento de produtos e serviços qualificada e parceira é o sonho de consumo de muitos gestores, e a dor de cabeça de todos eles.
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado
crédito ao autor original (Citando nome do autor, data, local e link de onde tirou o texto). Você não pode fazer uso comercial desta obra.
Você não pode criar obras derivadas.

