Norma ISO e Sistema de Gestão da Qualidade

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Conhecemos inúmeras ferramentas e processos para usarmos em Qualidade como Six Sigma, APQP/PPAP, WCM (World Class Manufacturing), WCL (World Class Logistics), Lean, etc. O que usar? Como aplicar com um objetivo focado no cliente? Como pensar preventivamente e não só reativamente? Por exemplo, hoje trabalho com o WCL onde existem vários pilares nos quais usamos diversas ferramentas da Qualidade como 5 porquês, Ishikawa (4 ou 6M), PDCA, matriz da qualidade, 5W2H, etc. Contudo já percebemos algumas deficiências. O pilar da Qualidade chama-se Quality Control Pillar.

Ainda existem certas confusões entre garantia da qualidade e controle da qualidade. Esta última é focada no processo, no produto, em controlar os requisitos. A garantia envolve o sistema como um todo, envolve o uso de ferramentas para identificar causas, determinar ações corretivas, trabalhar com os processos como um sistema de fornecedores e clientes internos, enfim uma visão sistêmica. Logo o pilar Quality Control do WCM ou do WCL não é completo para a empresa.

O mesmo para os outros processos como por exemplo o APQP/PPAP. Perfeito, envolve ferramentas avançadas para o planejamento do produto desde o projeto, protótipo, avaliação e validação de processos e produto tanto internamente como no fornecedor, etc. Contudo continuamos vendo a falta da visão sistêmica, de algo que direcione o foco da empresa para os “stakeholders” (interessados como acionistas, colaboradors, vizinhos, etc...

O Six Sigma através do DMAIC (Define, Measure, Analyse, Improve e Control) é uma das mais perfeitas e mais próximas desse visão sistêmica que eu clamo como necessária para a organização. Usa bastante a estatística, ferramentas de análise de dados, etc. Contudo continuamos sem o guia único que direcione a empresa e verifique a eficácia em alcançar os objetivos macros, se o Sistema está no caminho certo. O que fazer? O que sempre venho recomendando é o conjunto de normas ISO.

Temos a norma ISO 9001:2008 e dela surgiram adaptações mais rigorosas ainda, como a ISO 15100 da indústria aeroespacial, a ISO 16949 da indústria automobilística, etc. Estas normas possuem requisitos que se bem aplicados tornam a empresa muito mais eficaz e não apenas portadora de um certificado ISO pendurado na sua parede. Aplicando os requisitos junto com as ferramentas e processos citados, aí sim, teremos um Sistema de Gestão da Qualidade eficaz focado em melhoria contínua e controle. Vejam os requisitos das ISO e como neles podem ser inseridas todas as ferramentas e processos citados acima:

  • Requisito 4: Sistema de Gestão da Qualidade (generalidades, documentação, registros);
  • Requisito 5: Responsabilidade da Direção (comprometimento, política, foco no cliente, planejamento, responsabilidade e autoridade, comunicação, análise critica, etc.);
  • Requisito 6: Gestão de Recursos (recursos, recursos humanos, competência, treinamento e conscientização, infra-estrutura, ambiente de trabalho);
  • Requisito 7: Realização do produto (incluindo serviços) (requisitos relacionados ao produto (serviço, análise critica dos requisitos, comunicação com cliente, projeto e desenvolvimento, aquisição (incluindo seleção e avaliação de fornecedores), identificação e rastreabilidade, propriedade do cliente, preservação do produto, etc.);
  • Requisito 8: Medição, análise e melhoria (monitoramento e medição do produto e dos processos, satisfação dos clientes, auditoria interna, melhoria contínua, ação corretiva e ação preventiva, etc.).

 

Independente se é usado o Six Sigma, o WCM, ou outro qualquer, se aplicando os requisitos da ISO, auditando a eficácia do Sistema, a empresa terá um conjunto de regras a serem seguidas e garantindo a eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade e com foco nos oito princípios da Qualidade (Foco no cliente, liderança, envolvimento de pessoas, abordagem de processo, abordagem sistêmica para a gestão, melhoria contínua, abordagem factual para tomada de decisões e benefícios mútuos com os fornecedores).

Vamos pensar em atender os requisitos da ISSO independente de quais ferramentas usamos e com foco nestes oito princípios e não no certificado ISO pendurado na parede. A certificação é consequência do bom trabalho e não do certificado. Temos empresas sem certificação ISO e alcançando todos os oito princípios e outras com Six Sigma, WCM, APQP/PPAP, contudo com o Sistema de Gestão da Qualidade não tão eficaz, portanto a empresa sendo menos competitiva.




Carlos F.S. Lagarinhos Carlos F.S. Lagarinhos  /  Site do autor  /  Iso 9001  / Data: 21/07/2011  / Views: 9.573 / Mais artigos deste colunista

Um profissional dedicado, estudioso, mente em busca constante de conhecimentos, visão sistêmica e de processos, lider "coach". Adoro desafios, me sentir útil aplicando toda a minha experiência e conhecimentos. Não busco só sobrevivência, busco realização profissional, ser sempre melhor no que faço. Sou persistente, proativo e adoro aplicar toda a minha experiência e conhecimentos adquiridos em diversos processos industriais e em diverso...