Liderança e Motivação é Legal... Mas Cadê o Meu?!

Colunista: Mauricio de Oliveira  |  Publicado em: 30/01/2012 |  Leituras: 470

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Max Weber, escreveu há muitos anos um livro chamado The Theory of Social and Economic Organization (A teoria da organização econômica e social). Neste livro, Weber enunciou as diferenças entre poder e autoridade, e essas definições ainda são amplamente usadas hoje.  Poder, na sua concepção, é a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer. Todos sabemos como é o poder. Quase todo mundo já o sentiu pegando pesado na suas costas.

Tipo assim: "Faça isso ou será despedido", "Faça isso agora ou suspendo você" ou ainda casos do tipo: “Fulano, vá lavar a louça agora, que eu estou mandando...”

Em palavras simples, no popular: Manda quem pode, obedece quem tem juízo. No entanto, Autoridade seria outra coisa bem diferente: É a habilidade de levar as pessoas a fazerem, de boa vontade, o que você quer por causa de sua influência pessoal; é levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você deseja, porque você pediu que fizessem.

Tipo assim: "Vou fazer porque Fulano me pediu, ou "Vou fazer isso porque mamãe me pediu". Notamos então que poder é definido como uma faculdade, enquanto autoridade é definida como uma habilidade. Não é necessário ter cérebro ou coragem para exercer poder. Crianças de dois anos são mestras em dar ordens a seus pais.  Porém, estabelecer autoridade sobre pessoas, liderar, motivar, requer um conjunto especial de habilidades, as quais só são naturais nos verdadeiros líderes.

Então fica entendido que um verdadeiro líder é acima de tudo um motivador. Mas como motivar uma equipe totalmente desmotivada, já com a cor amarelo-hepatite, sem tesão pra buscar a melhoria dos indicadores ou qualquer coisa assim? Bem, sempre há o recurso do dinheiro. Onde entra grana acontecem milagres; onde ela é escassa o solo fica árido e não nascem nem cactos.

O dinheiro é importante; se alguém tiver dúvida disso é só atrasar a entrega dos contra-cheques para ver o tamanho da encrenca. De um modo geral as pessoas são motivadas por seus próprios interesses e todos são movidos por pecúnia.   E motivação é um assunto muito discutido nas empresas. Ainda assim poucos a compreendem totalmente e  ter uma equipe sempre motivada ainda é um mistério.  Há no mercado milhares de consultores e palestrantes, das mais variadas áreas de atuação, que desfilam um arrazoado de bla-bla-blas, vendendo seus peixes como líderes-motivadores-vencedores-da-temporada. 

O resultado final às vezes é até satisfatório, depois de correr atrás dos autógrafos, porém por curto período de tempo. A motivação não se mantém, e tudo volta a ser como dantes no quartel de Abrantes, e os efeitos disso no negócio podem ser desastrosos.

Na verdade, quando um time não está ganhando os problemas normalmente estão muito além do campo, independentemente de lideranças do tipo A ou B, do líder ser bonzinho ou ser chupa-cabra, o que se necessita, nessas situações, é de um líder gerencial, alguém que enxergue além da linha da bola.

O líder gerencial vai buscar trabalhar as causas e não os efeitos da desmotivação da equipe, que se evidenciam através da  alta rotatividade de funcionários; diminuição da produtividade; erros tolos e constantes; faltas, atrasos e um monte de desculpas; pessoas tristes, melancólicas e irritadiças; funcionários com o desempenho despencando; resultados aquém das metas definidas e etc.  Perceberá ainda que se algo não for feito logo, até quem estava animado vai desanimar porque, para piorar, essa onda pega. Para isto o líder gerencial deverá ter características como profundo interesse em participar na dissipação de todo o tipo de ignorância;  habilidade em aplicar conhecimento e transformá-lo em sabedoria; capacidade extraordinária de compreensão que transcende necessidade de controlar ou modificar o mundo; dedicação à descoberta da “verdade que liberta”; capacidade de fazer diagnósticos precisos e indicar caminhos adequados; capacidade de identificar as causas reais, pontos fortes e oportunidades de crescimento de pessoas e organizações; habilidades extraordinárias em dissolver confusões e encrencas interpessoais, calma em abundância, além da capacidade de, em nome de todos os santos e orixás, detonar (com muito, muito, muito jeitinho) a central de fofocas existente em todas as organizações. 

Motivação de equipes é tema de muitos e muitos estudos, pode-se citar  por exemplo A Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow que é, sem dúvida, a teoria da motivação mais conhecida. Esta teoria se assenta em dois pressupostos fundamentais: I - As pessoas são organismos motivados pelo desejo de satisfazer determinado tipo de necessidades; II - Essas necessidades são universais e dispõem-se de forma sequencial ou hierárquica. Isso significa que o indivíduo se sentirá motivado a satisfazer uma necessidade de nível superior apenas quando todas as outras necessidades que

lhe são inferiores estiverem satisfeitas.  Já Douglas McGregor criou a Teoria XY;  segundo a qual propôs duas visões distintas relativamente à forma de pensar o Homem: Uma visão tradicional, basicamente negativa, designada por Teoria X  e outra contemporânea, basicamente positiva, designada por Teoria Y.   

Depois de ter observado a forma como os gestores lidam com os seus trabalhadores, McGregor concluiu que a forma como eles vêem a natureza humana se baseia num conjunto de pressupostos, e que o gestor tende a moldar o seu comportamento face aos subordinados com base nesses pressupostos... e muito bla-bla-blá pra cá e muito  trololó pra lá, que faz a alegria dos gestores de RH, mas que dá coceiras múltiplas no líder gerencial que precisa fechar o mês com indicadores decentes.

E ele sabe que no fim das contas só necessitará de cinco coisas para manter uma equipe motivada : bons salários, política de gestão, boas condições de trabalho, boas relações interpessoais em todos os níveis e benefícios sociais (cesta básica, plano de saúde, refeição no local de trabalho e, se possível, um churrasquinho todo fim de mês). 

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