Seis Sigma e as 7 ferramentas da Qualidade

Colunista: João Baptista Sundfeld  |  Publicado em: 10/01/2011 |  Leituras: 8.063

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UM SISTEMA QUE AUMENTA OS LUCROS (Seis Sigma)

As empresas que adotam o Planejamento Estratégico como instrumento para a construção de um modelo para projetar o futuro, têm adotado técnicas para análise do mercado – concorrentes, fornecedores, clientes e produtos substitutos – de grande relevância para o sucesso nos negócios. A par das análises citadas, adotam ações que alteram de forma significativa seus processos de gestão industrial, aumentando a qualidade de seus produtos e aumentando sua carteira de clientes e seus lucros. Um instrumento, pouco conhecido das empresas brasileiras, é o chamado “Seis Sigma” um sistema de gestão estratégica objetivando acelerar mudanças e aprimorar todos os processos, produtos e serviços da organização, para torná-la mais competitiva. Sigma é a letra do alfabeto grego correspondente ao nosso S. Atualmente é um dos assuntos de maior interesse e relevância no mundo dos negócios especialmente nos Estados Unidos, Japão  e Europa.

Utilizando técnicas estatísticas desenvolvidas nos últimos cinqüenta anos, o sistema objetiva a melhoria continua também conhecida como Kaizen. Nesse artigo procuramos resumir o assunto para empresas que pretendam melhorar seus resultados e aumentar sua lucratividade. O quadro de Níveis Sigma abaixo mostra a importância da utilização deste sistema:

Nível Sigma

    Falhas por milhão

  Perfeição %

         Custo da falta de qualidade

          6

           3,4       (0,00034%)

    99,99966

 Menos de 10% do valor das vendas

          5

         233   (0,02335%)

    99,97665

  De 10% a 15%              idem

          4

      6.210   (0,62100%)

    99,37900

  De 15% a 20%              idem

          3

    66.807   (6,68070%)

    93,31930

  De  20% a 30%             idem

          2

  308.537 (30,85370%)

    69,14630

  De  30% a 40%             idem

          1

  690.000 (69,00000%)

         -

                         -

Fonte : Exame nr. 689, pág.78 – jul/99

A identificação do custo da falta de qualidade passou a ser crucial a partir da globalização dos negócios, incluindo exemplos espetaculares como Japão, China, Coréia do Sul e Índia entre outros países com índices de aumento do PIB da ordem de 5 a 10% ao ano. Devido à possibilidade de significativa redução de custos com o aumento da qualidade, todos os tipos de indústrias podem se valer do sistema Seis Sigma, destacando-se produtos eletrônicos em geral, veículos, aviões e outros produtos industrializados de alta tecnologia, devido à possibilidade de significativa redução de custos com o aumento da qualidade.

A partir dos anos 70, os japoneses passaram a competir oferecendo produtos de menor preço e de boa qualidade para surpresa geral. Tinham grande vantagem competitiva. Quais seriam os elementos componentes dessa vantagem? O que estaria acontecendo? Quais métodos de manufatura estariam sendo utilizados, para permitir maior redução de custos e, portanto, de preços e aumento da qualidade?

Pesquisas sobre o assunto demonstraram ao mundo que a diferença não estava em novas técnicas de produção, nem em inovações tecnológicas em máquinas e equipamentos, mas na utilização da análise estatística aplicada em todos os processos que agregavam valor aos produtos e serviços, com a correção de desvios dos padrões estabelecidos.

Em maio de 1980 a rede de televisão americana NBC exibiu um programa intitulado "If Japan Can, Why Can't We ? (Se o Japão pode, por que nós não podemos?). Estava lançado o desafio. Conduzido pela Motorola na década dos anos 80, um trabalho de "benchmarking" utilizou dados estatísticos de desempenho de empresas conhecidas pelos níveis elevados de satisfação dos clientes e qualidade de produtos e serviços, comparados com empresas de desempenho médio que tinham taxas de falhas na faixa de 3.000 a 10.000 por milhão de procedimentos, equivalentes a um nível Sigma 3 ou 4.

A conclusão foi que as melhores empresas obtinham resultados na faixa de 3,4 falhas por milhão de procedimentos. Construiu-se então o quadro mostrado no inicio deste trabalho, incluindo-se uma estimativa do custo adicional que as empresas carregam pela falta de qualidade.  A Motorola fixou como meta, a obtenção do Seis Sigma em 1993. A utilização deste sistema de medição e redução de falhas tornou-se mais conhecida quando a General Electric, a partir de 1995, sob a orientação de seu consagrado presidente Jack Welch, passou a analisar todas as suas operações, visando atingir o padrão Sigma 6 no ano 2000.

Quando em 1997 foi anunciado o maior faturamento de todos os tempos da General Electric com aumento de lucros, foi grande a surpresa por ter sido creditado parte deste sucesso ao sistema da qualidade Seis Sigma.  Até então Welch sempre fora cético quanto à eficácia dos programas da qualidade.

O mais curioso de tudo isso é que os americanos já utilizavam técnicas estatísticas de controle de manufatura industrial desde 1931, quando o Dr. W. A. Shewhart, da Bell Laboratories, publicou em New York seu famoso livro "Economic Control of Quality of Manufactured Products", onde expôs o CEP - Controle Estatístico de Processos e três gráficos de controle sigma.

O Dr.William Deming levou estas técnicas ao Japão em 1950 e em 1954 o Dr. Joseph Juran as utilizou em cursos sobre controle da qualidade na indústria. Os japoneses, além de utilizar estas técnicas, adicionaram novas práticas, apresentadas por seus mais renomados especialistas, como Ishikawa, Tagushi, Kondo e outros, inserindo-as no TQM - Total Quality Management (Gestão pela Qualidade Total). Os bons resultados são demonstrados pela produção oyota e da Honda que estão construindo veículos que ganharam fama pela reconhecida qualidade. As Sete Ferramentas da Qualidade fazem parte do sistema geral:

  1. Folha de Verificação (coleta de dados).
  2. Estratificação (separação dos iguais em grupos distintos).
  3. Diagrama de Pareto (identificação dos poucos essenciais).
  4. Histograma (gráfico de barras para distribuição de freqüências)
  5. Diagrama de Causa e Efeito (análise gráfica – Espinha de Peixe ou Gráfico de Ishikawa.
  6. Gráfico de Controle (controla os limites das especificações previstas)
  7. Diagrama de Dispersão (análise da relação entre duas variáveis)

Devemos sempre estar conscientes da importância da qualidade em todos os processos para entrega de nossos produtos/serviços. A qualidade desde que reconhecida pelos clientes torna-se uma vantagem competitiva duradoura e lucrativa.

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Publicado em:
10/03/2011 - 14:27
Edvania Aparecida Savani
mUITO BOM