ISO 14000 e a empresa sustentável

Colunista: João Baptista Sundfeld  |  Publicado em: 14/01/2011 |  Leituras: 2.203

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O termo “sustentável” nos remete a algo que se mantém ou que é passível de sustentação (Dicionário Houaiss). A expressão tem sido usada, nos últimos anos, para ações reconhecidas como protetoras dos meios de subsistência dos seres humanos na Terra.

Em termos de gestão empresarial e de negócios de risco, cada vez mais se entende que uma organização com fins lucrativos e que atua livremente no mercado deve ter responsabilidade social e, portanto, agir de forma ética em todos os sentidos, inclusive ecologicamente.

Uma empresa, para se manter no cenário competitivo existente em seu mercado, necessita adotar ações de planejamento estratégico incluindo marketing, vendas, produção, informática, recursos humanos e finanças. Neste artigo, trataremos desses fatores, que farão com que a empresa seja, por si só, sustentável.

No contexto empresarial, há uma verdade indiscutível: custa mais acrescentar um novo cliente do que manter os atuais. Em outros termos, Dwigtht Gertz recomenda que “é possível obter a primeira explosão de crescimento, quando se descobre como aumentar os negócios com os clientes atuais” (Crescer para lucrar Sempre – Campus). Uma política consistente de marketing inclui monitoramento constante da demanda para que a oferta seja equilibrada.

Durante o ano de 2007, o crescimento da demanda de produtos industriais, em quase todos os setores, tornou-se um grande desafio para a maioria das empresas, especialmente as pequenas e médias, de acordo com Jackson Schneider, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. A expansão dos mercados prosseguiu até meados de 2008, quando irrompeu a crise econômica e financeira, a partir do excessivo comprometimento de instituições do mercado imobiliário dos EUA e com a quebra do Lehman [_e_] Brothers.

Os reflexos ocorreram em todo o globo e até nossos dias. A China, grande consumidora de matérias primas, freou o movimento de compras. Empresas brasileiras, tendo à frente a Vale, viram-se na contingência de reduzir a produção, cortando encomendas a fornecedores e reduzindo o pessoal próprio. Considerando a necessidade de ajustes em toda a cadeia produtiva, enormes foram os prejuízos para o país, empresas e pessoas.

A sustentabilidade das empresas atingidas foi comprometida, por melhor que fossem seus planejamentos estratégicos. Foi uma ocorrência fortuita, com enormes consequências.  

Durante todo o ano de 2009, as empresas ajustaram seus planos à nova situação. A divulgação das variações dos PIB’s, no início de 2010, já mostra queda significativa na maioria das economias. No Brasil, felizmente, é projetada uma pequena variação em 2009 relativamente a 2008, sendo previsto um crescimento de 5 a 6% em 2010. Algumas lições ficaram para empresários e gestores:

  1. Um mercado não cresce indefinidamente, cabendo incluir, no plano estratégico, previsões do tipo “What - If” ou o que fazer se acontecer uma mudança brusca.
  2. É necessário sempre ter cautela quanto à excessiva participação nos negócios da empresa, tanto de clientes como de fornecedores – marketing estratégico.
  3. Os controles financeiros nunca podem ser negligenciados. O equilíbrio do fluxo de caixa deve ser mantido, para que a liquidez nunca fique em risco.
  4. Controles sobre estoques de matérias primas, produtos em processo e acabados requerem cuidados especiais, especialmente quando a demanda for crescente. Bons fornecedores devem ser mantidos como parceiros confiáveis. Afinal, quando ocorrer uma inversão de tendência, todos serão envolvidos (empresa sustentável).
  5. Dispensar abruptamente os colaboradores pode trazer custos elevadíssimos de dispensa e também de novas contratações e treinamento quando da retomada dos negócios (recursos humanos).

Os cinco itens elencados revelam oportunidades para planejarmos estrategicamente todos os processos e estruturas da empresa, enquanto os ventos forem favoráveis. Devemos criar condições de sustentabilidade dos negócios, evitando situações que devam ser enfrentadas em clima de grande emoção, quando, sabe-se, podem ocasionar decisões apressadas e danosas. 

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