A visão estratégica e o Sistema de Gestão Integrado

Publicado em: 01/11/2012


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Quando uma empresa se propõe a implementar um Sistema de Gestão Integrado (SGI) com base nas normas NBR/ISO 9000:2008, 14000:2004, OHSAS 18000, e SA 8000, a mesma se obriga a pensar, desenhar e implementá-lo através de um planejamento. As vantagens de se fazer uso do modelo é que o planejamento-base já vem pronto, ou seja, é preciso implementá-lo. Com o Sistema de Gestão Integrado implementado, o passo seguinte é fazer uso do mesmo. Para verificar se ele está funcionando ou se precisa de adequações, faz-se uso de uma ferramenta que o próprio modelo apresenta como obrigatória: as auditorias internas.

O propósito das auditorias é o de continuamente e sistematicamente monitorar a efetividade do sistema de gerenciamento da qualidade. Isto inclui auditorias que abrangem todos os elementos do sistema e todas as áreas funcionais, as quais devem no mínimo ser auditadas uma vez ao ano. No entanto, minha recomendação é que isto ocorra pelo menos duas vezes ao ano.

Esta é uma forma compreensiva para prover feedback pontual e valioso aos gerentes em relação a todo o SGI. Os resultados da auditoria podem ser usados como alvos para ações de melhoria e, subseqüentemente, facilitar os planos de melhoria contínua. Para atuar neste planejamento, com base no que foi verificado, é preciso fazer uso de outras duas ferramentas também disponibilizadas e obrigatórias, como ações corretivas e ações preventivas.

O propósito de uma ação corretiva sistêmica e eficaz é o de assegurar correção da causa ou causas de uma não conformidade real. O propósito de uma ação preventiva sistêmica e eficaz é o de assegurar que a causa ou causas de uma não conformidade potencial será identificada, analisada e resolvida, visando prevenir que este problema venha a ocorrer.

O que se espera é que na medida em que o mesmo amadureça, os números de ações corretivas tenham uma tendência de queda, enquanto que o número de ações preventivas terá uma tendência de crescimento. A sucessão de ações corretivas e preventivas possibilita para a organização a identificação de tendências que podem encaminhar ao rastreamento de problemas, aspectos e perigos em desenvolvimento de processos ou em produtos.

Outra ferramenta gerencial também de uso obrigatório é a análise crítica pela direção, o que leva a organização realizar um novo ciclo PDCA. Tem como propósito avaliar o status do Sistema de Gestão Integrado implementado periodicamente quanto a sua eficiência e eficácia. O mesmo diz respeito à determinação de quais requisitos internos e externos estão sendo adequados e cumpridos para o atendimento dos clientes em relação ao explicitado pela sua política e seus objetivos.

Os executivos da empresa devem participar, pois são os que têm poder e responsabilidade quanto à qualidade. Estes analisam o resultado das auditorias internas, as ações corretivas e preventivas, analisam os dados coletados desde a ultima análise crítica, etc. A intenção desta análise é a de determinar a saúde do SGI e, claro, da própria empresa pela identificação de oportunidades para a melhoria contínua através da determinação de ações para facilitar esta melhoria. Isto inclui a determinação de quem deve fazer o que, bem como a provisão de recursos financeiros, humanos, de infra-estrutura e de ambiente de trabalho para assegurar o sucesso das ações identificadas.

O conceito básico deste modelo é que o Sistema de Gestão deve ser continuamente monitorado, medido, avaliado e alterado, na busca da melhoria contínua. A efetiva implantação destes três elementos possibilita que qualquer organização realize melhorias continuadamente. É essencial que igual ênfase seja dado a cada um destes elementos. Auditoria interna não terá nenhum propósito se as ações identificadas não sofrerem ações corretivas. Ações corretivas e preventivas não funcionarão adequadamente se as deficiências do SGI não forem identificadas. Se isto ocorrer, oportunidades para melhoria tenderão a diminuir. A análise crítica da direção será ineficaz se o mesmo não determinar ações de melhoria, ou seja, que se rode o PDCA.

Para uma organização, um sistema compreensivo de contínua melhoria deve ser um orientador, uma espécie de bússola. Uma implementação de sucesso e a manutenção com melhorias requerem comprometimento da direção e de todos os envolvidos. A integração destes quatro elementos, requisitos e processos aliados à utilização de algumas ferramentas da qualidade são a garantia que uma organização terá para uma caminhada sem fim em prol da melhoria da eficiência e da eficácia de sua empresa, e todos compõem a base para a melhoria contínua de um SGI de qualquer que seja o tipo de empresa.

No fundo, esta é a razão pela qual a cada auditoria para manutenção de um SGI estes elementos são verificados. Através da auditoria, os auditores irão avaliar se o gerenciamento do SGI é efetivo e constantemente monitorado, avaliado e melhorado pela organização através de sua alta direção, com o objetivo de se tornar uma empresa cada vez mais competitiva neste mercado implacável com os amadores.