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Antes de motivar é preciso treinar

Publicado em: 19/06/2012  |  Leituras: 969 |  Fonte: Redação Qualidade Brasil

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Volta e meia alguém liga aqui na consultoria e pergunta se realizamos palestras motivacionais.

Geralmente são pessoas da área de Recursos Humanos que com problemas em relação ao número de acidentes entendem que o que falta para que os acidentes parem de ocorrer é “motivação para os trabalhadores”. Na verdade alguns deles estão precisando mais do que um palestrante: eles precisam de um mágico.

Nada tenho contra a motivação, aliás muito pelo contrário entendo que seja algo importante para a prevenção,mas entendo também que para motivar alguém para alguma coisa é preciso que exista esta “alguma coisa”.

Em muitas organizações não há nem ao menos uma base mínima de conceitos, procedimentos e práticas para a prevenção – isso quer dizer que não existe pelo menos uma direção, quem sabe uma trilha a ser seguida – ou seja – um lugar por onde e como ir.  Então sempre pergunto: Motivar em qual direção e para que ?

Para mim é assustador o número de organizações que não fazem o feijão com arroz preventivo – e mais assustador ainda que muitas delas estão por ai se apresentando como organizações com certificado disso ou daquilo.

Parte das organizações encara Segurança e Saúde no trabalho como algo que surge naturalmente do chão de fábrica – o que representa o famoso modelo de gestão CUPSDPT – “cada um por si e Deus por todos”. Cuidam de SST de forma convulsiva e seus SESMT dedicam horas e mais horas na busca de explicações (algumas delas pelo menos pitorescas) para oscilação de resultados.

Há um outro grupo de  organizações - e este e o que mais me preocupa – que tem um aparente sistema – ou seja – há papeis por todas as partes e cada vez que aparece um auditor surgem ainda mais papeis. O problema e que estes papeis jamais se traduzem em práticas e muito pelo contrário – em alguns casos tomam tempo daqueles que deveriam cuidar da prevenção anulando assim parte da prevenção que existia. Este tipo de organização e o que geralmente pede palestras motivacionais – porque não entendendo bem o que acontece e até com boas intenções algumas pessoas acham que o que falta e a contribuição do trabalhador – quando na verdade o que falta e INFORMAÇÃO para o trabalhador.

É muito triste observar a grande distância que há entre a teoria da prevenção e a realidade nestas organizações. Para os Diretores e para os gerentes são apresentadas verdadeiras maravilhas e eles como não são especialistas ou raramente convivem com o dia a dia do processo acham que está tudo bem.

No entanto, dali para baixo pouco ou nada acontece e que o está no papel no papel fica. Com certeza  se apenas uma pequena parte de tudo aquilo tão bem escrito e descrito chegasse ao processo as coisas seriam bem melhores. E se chegasse através de treinamentos, de reuniões – serviria também como base para um processo de mudança já que com certeza por detrás dos acidentes há um mundo de ignorância sobre a prevenção.

Via de regra – quando ligam aqui e sinto que a pessoa tem de fato interesse digo a ela então que seria mais útil gastar o dinheiro com atividades que levassem até as pessoas o como fazer para depois – prevendo que alguns não terão interesse em fazer – ai sim atuar na motivação para que a prática ganhe força.

E digo o mesmo algumas vezes quando surgem as SIPAT e vejo gente querendo programar temas modernos e avançados quando ainda não conseguem naquela realidade garantir ao menos uma condição de mínima de segurança:porque gastar dinheiro com toalha nova se a mesa ainda está suja ?

Muitas vezes me assusto com a superficialidade com que ainda tratam nossa área. Muitas vezes vejo e percebo que o erro ocorre pela falta de um diagnostico incorreto ou incompleto do problema, outras vezes pelos modismos – mas em comum isso tudo leva ao desperdício de dinheiro e a frustração de expectativas e o pior – a descrença por parte dos trabalhadores que conhecendo a realidade sabem que não serão apenas palestras e motivação que mudarão os cenários.

Antes de qualquer coisa precisamos por em prática o que foi planejado, traduzir para o dia a dia o que foi escrito e muitas vezes para isso é preciso treinar pessoas para que elas compreendam o que precisa ser feito e tenham acima de tudo o direito de saber porque deve ser feito.

Na simplicidade da realização efetiva estão os resultados que a prevenção precisa.

Cosmo Palasio M. JuniorCosmo Palasio M. Junior

Técnico em Segurança do Trabalho.

Site: www.cpsol.com.br