Conflitos Internos e Gestão dos Recursos Humanos

Publicado em: 12/06/2012


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Qualquer empresário sabe muito bem que a existência de conflitos em suas empresas, é uma realidade, seja ele de pequenas ou grandes proporções. O que a maioria não sabe é que os conflitos podem ser benéficos, quando bem administrados ou gerenciados de modo eficaz.

Se por um lado a existência de conflitos é prejudicial ao bom andamento das atividades, podendo trazer conseqüências desagradáveis para as empresas, como baixa motivação, com reflexos na qualidade e produtividade geral, a ausência dos conflitos, transparece um ambiente acomodado, sem dinamismo e  sem criatividade.  Isto mesmo, segundo os especialistas em relacionamento humano, a falta de conflitos em uma empresa, inibe a criatividade, proporcionando um cenário de pouca iniciativa.

Mas afinal, ter conflito é bom ou ruim para uma empresa? Podemos dizer com toda certeza, que isso dependerá  do tipo de conflito, do seu grau  e principalmente de quem está envolvido nele. Assim podemos classificar  os conflitos em vários tipos, sendo os mais importantes os dois listados a seguir;

  • Dimensão do relacionamento pessoal
  • De processo, função ou atividades

Para nosso melhor entendimento sobre os conflitos, vamos falar exclusivamente sobre os conflitos de relacionamentos, pois são os que mais tem gerado impactos negativos, tanto na qualidade como na produtividade das empresas.

Para melhor compreendermos os conflitos, estes apareceram com maior vigor,  após a era da implantação dos Sistemas  de Gestão da Qualidade e das Certificações ISO 9000, também devemos lembrar que nestes cenários, a exigências sobre os funcionários para uma  maior participação, colaboração, cooperação e envolvimento,  é muito grande, fazendo com que as pessoas se aproximem e se interagem mais,  surgindo assim os conflitos de relacionamentos.

Portanto a existência dos conflitos,  que não era tão evidente antes da implantação de um programas de  Gestão da Qualidade, agora aparece de modo rotineiro em vários setores das empresas.

Mas o que se sabe realmente sobre os conflitos, suas raízes, causas, como administrar, gerenciar, diminuir ou eliminar?  Neste artigo, vamos possibilitar aos nossos empresários, uma visão mais clara do assunto, oferecendo uma oportunidade valiosa de reflexão e dedução, que em muito poderão auxiliá-los em suas empresas.

Os conflitos de relacionamento, surgem devido principalmente a diversos fatores pessoais diferentes de uma pessoa para outra, ligados à personalidade, aos interesses, aos desejos, às motivações, culturas, valores, projetos de vida, e muitos outros, além é claro das situações emocionais, que também influem no aparecimento dos conflitos.

Todos estes fatores, reduzem a capacidade de entendimento e compreensão entre os envolvidos, gerando assim o conflito interpessoal.

Para colaborar com nossos empresários neste aspecto de como eliminar, administrar ou gerenciar os conflitos, vamos relacionar alguns pontos importantes que podem ser colocados em prática em qualquer empresa.

Dentro da ótica da dimensão do relacionamento humano, temos outras das situações ou fatores,  que provocam a existência dos conflitos, como; a auto estima pessoal, a sinceridade, a autoridade, os costumes, a liberdade, a confiança, a competição,  a ansiedade, a ambição, a frustração, os sentimentos e por fim a própria visão de vida pessoal.

Desse modo, surge o confronto existencial das situações ou fatores acima, causados pelos desejos, interesses e motivações diferentes durante os relacionamentos das pessoas envolvidas. Cabe à gerência de nossas empresas, aprofundar no conhecimento do ser humano, seu comportamento, seu caráter, sua personalidade, sua ambição e também sua capacidade de interação com  o meio ambiente.  Assim procedendo, estarão mais aptos para entender como pessoas diferentes,  reagem de modo tão diferente à uma mesma orientação gerencial.

Para  administrar ou gerenciar melhor os conflitos, seguem algumas orientações que por certo irão ajudar as gerências na solução  dos conflitos internos de relacionamentos, portanto, devem ser o máximo transparente nas seguintes situações abaixo;

  • Aplicação das normas e regulamentos internos;
  • Desenvolvimento do Plano de Carreira;
  • Divulgação do Plano de  Benefícios;
  • Clareza na delegação de função e autoridade;
  • Desenvolvimento dos Procedimentos operacionais;
  • Nas Comunicações internas com os funcionários e outros.

Quando os conflitos atingem um alto nível de interação, ele pode gerar um grande mal estar entre os envolvidos, podendo se propagar para toda a empresa.

Uma das causas do aparecimento dos conflitos, é o modelo de gerenciamento do ser humano utilizado em muitas empresas. São modelos que permitem duplicidade de ordens, “fugas” da responsabilidade, tipo “não foi comigo”, não “sei de nada”, em outras situações, a delegação para os gerentes é deficiente, ficando muitas decisões, na maioria de pequeno alcance, nas mãos dos diretores.

Temos também observado a questão dos comportamentos, nos quais muitos diretores e gerentes se comportam diferentes daquilo que querem que o funcionário faça, gerando descontentamento e os conflitos. 

Os conflitos tem aparecido mais, nos ambientes onde o modelo de gerenciar as pessoas é centralizador e autoritário, sendo que em modelo de gerenciar com mais liberdade, tipo “democrático” os conflitos de relacionamento praticamente não existem.

Para diminuirmos ou eliminarmos os conflitos, cabe à gerência, se auto desenvolver na capacitação das relações humanas no trabalho para elevar de modo gradativo, a convivência entre os funcionários, alem de utilizarem mais as decisões por consenso, ao contrário das decisões unilaterais.

Temos visto que equipes com um gerenciamento participativo e com decisões mais no modelo consensual, e também com mais respeito às  individualidades dos seus componentes, são equipes com menos conflitos de relacionamentos.

Professor Samuel Vieira Paz

Professor Samuel Vieira Paz

Consultor há 10 anos. Graduado em Química Industrial e MBA em Gestão da Qualidade, pela FGV. Regulação Gestão da Qualidade, Iso 9001:2000, Comentarista em Gestão Empresarial na TV Cultura do Vale do Aço/MG, Colunista do JB-Jornal de Ipatinga sobre Gestão Empresarial.