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Quer ser bem sucedido?

Publicado em: 28/08/2012  |  Leituras: 826 |  Fonte: Redação Qualidade Brasil

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Se você realmente quiser ser bem sucedido então leia sempre que possível livros completamente fora de sua área, que abordem assuntos desconhecidos.

No quotidiano falamos de conhecimento, de crenças que estão fortemente apoiadas por dados, e dizemos que elas têm justificação ou que estão bem fundamentadas. A epistemologia é à parte da filosofia que tenta entender estes conceitos.

De acordo com Alberto Nobuyuki Hashimoto conhecimento é a capacidade, adquirida por alguém, de interpretar e operar sobre um conjunto de informações. Essa capacidade é criada a partir das relações que ele estabelece sobre o conjunto de informações, e desse conjunto com outros conjuntos que já lhe são familiares (incluindo experiências, impressões, valores, crenças, etc.), que lhe permitem compreende-lo e tirar conclusões sobre ele e a partir dele.

Já distinção entre conhecimento por contato e conhecimento por descrição foi introduzida pelo filosofo, matemático e Premio Nobel da Literatura Bertrand Russell em ligação com a sua célebre teoria das descrições. Ele tenta mostrar que o sistema do conhecimento é estratificado: que alguns tipos de conhecimento dependem de outros, mas alguns não e que estes últimos formam as unidades fundacionais que suportam todo o sistema epistêmico. Ele defendeu que, uma vez que estas unidades básicas se apóiam na experiência direta, em última instância todo o conhecimento factual deriva da experiência.

Russell sustentou que a informação baseada na experiência direta é básica e não precisa ser justificada; ele chamou-lhe de "conhecimento por contato". À informação que não se baseia na experiência direta chamou de "conhecimento por descrição".

Segundo Elliott Sober em seu livro Core Questions in Philosophy, o conhecimento requer tanto a crença quanto à verdade. Comecemos pela segunda idéia. As pessoas às vezes dizem que sabem coisas que mais tarde se revelam falsas. Mas isto não é saber coisas que são falsas, é pensar que se sabem coisas que, de fato, são falsas.

Agora chegamos a um ponto importante da questão sobre conhecimento. E se o conhecimento por descrição descrito por Russel for tido como verdade se tornando conhecimento por contato, incorreremos na afirmação de Elliott Sober, onde podemos estar fundamentando nosso conhecimento em idéias falsas?

Quantas vezes no nosso cotidiano isso ocorre. Não temos informações suficientes ou a informação está fragmentada e absorvemos um conhecimento maculado, formamos nossas crenças e valores baseados neles e com isso construímos uma base errada de conhecimento.

Por isso é fundamental que questionemos periodicamente o nosso conhecimento, primeiramente para valida-lo, segundo para reciclá-lo. Semelhante ao período que resolvemos fazer uma faxina no guarda roupa, onde separamos as vestimentas que não servem mais, a que estão fora de moda, doamos algumas peças outras reformamos enfim arejamos o guarda roupa que fica com outro aspecto. Do mesmo modo devemos proceder com o nosso conhecimento.

Como imortalizou Peter Drucker “As pessoas atualmente devem possuir a capacidade de aprender, desaprender e reaprender”.

Mas para isso devemos enxergar os fatos sob novos ângulos e somente conseguimos fazer isso se adquirirmos novas formas de conhecimento, e um modo de fazê-lo é ler livros e publicações completamente fora da sua área. Por exemplo, se você é um engenheiro ou contador leia sobre filosofia, se é filosofo leia sobre vendas, enfim amplie o seu horizonte. Somente assim você poderá oxigenar seu conhecimento e com isso rever suas crenças e valores.

Para Paulo Keglevich de Buzin consultor e empresário é um paradoxo o mercado se calcar tão fortemente na exigência de experiência específica e ao mesmo tempo exigir capacidade de inovação e adaptação à realidade das mudanças. Afinal, se o forte é a experiência, espera-se que esta reproduza para o contratante o que já vem fazendo em outros lugares.

Mas, se meramente reproduzo o que já é feito, onde está a inovação e a mudança? E quando alguém comete um erro, usualmente as organizações se apressam em puni-lo, buscando ver-se livre daquilo que imaginam ser uma incompetência em resolver os problemas da organização.

No entanto, é justo na ocasião dos fracassos que o maior e mais eficaz aprendizado ocorre. E, ao invés de o profissional ser aproveitado pela organização que patrocinou tal aprendizado, usualmente ele vai para outra. É claro que, paradoxalmente, para que a outra organização considere o seu currículo, ele vai precisar esconder a experiência de fracasso, justamente a que seria tão útil para a organização! É evidente que nem o mercado e nem as instituições de ensino estão sabendo lidar com a era do conhecimento que se iniciou!

Segundo Stephen Kanitz “Não existe mais o conhecimento perene, guardado a sete chaves, restritos às lides acadêmicas. As universidades não são mais as casas do saber, as catedrais do conhecimento. Hoje, o conhecimento humano é de curta duração.

O conhecimento altera a percepção em diversos níveis. Partindo da maçã que Adão comeu passando pela “Analogia da Caverna” de Platão. Informações são jogadas a nós através de diversas ferramentas, radio, televisão outdoors, internet e etc, porém … o que é mesmo importante?

Sábio mesmo foi Sócrates que admitiu que só sabia que nada sabia.

Ninguém detém a verdade absoluta e poucas são as barreiras em busca do conhecimento que modifica vidas e mundos.

É importante conciliarmos o conhecimento com outras virtudes essenciais para o saber humano, como a sensibilidade popular, bom senso, sabedoria, experiência de vida, ética. Conhecer é comunicar-se, interagir com diferentes perspectivas e modos de compreensão, inovando e assim modificando a realidade.

John Maddox, jornalista inglês em seu livro "What remains to be descovered" (O que falta ser descoberto), ainda não disponível em português, diz "que as descobertas que aprofundam a compreensão humana também aumentam as dúvidas. Temos de aprender a viver com isso”.

Para gerir toda esta complexidade entendemos que o ser humano deverá adotar uma postura de autocrítica e seletividade, seja a nível pessoal ou profissional, em relação ao que efetivamente necessita e deseja ouvir e assimilar. Neste sentido ele deverá levar em conta a fase de vida em que se encontra e suas necessidades para cada etapa. Esta é uma decisão individual. Não pode ser delegada.

Deste modo você é o responsável pelo seu conhecimento ou pela falta dele, está em suas mãos rever os conceitos, crenças, verdades e mitos que carrega na vida. Será que não está na hora de revê-los?

Como disse Emil Cioran “Só quem não se aprofundou em nada pode ter convicções”.


Por: Roberto Recinella

 

Site: www.rrecinella.com.br