Capital de giro


Capital de giro é o conjunto de valores necessários para a empresa fazer seus negócios acontecerem (girar). Existe a expressão "Capital em Giro", que seriam os bens efetivamente em uso.

O Capital de Giro é aquele recurso que auto financia a atividade principal de uma empresa, ou seja, é o capital necessário para continuar a adquirir os bens que serão revendidos no volume que o seu mercado consome, e continuar a obter a sua principal fonte de renda perenemente.

Como exemplo, um mercado consumidor absorve um produto mensalmente o valor de 1,2 milhão de reais, a empresa adquire estas mercadorias por 1 milhão e as revende por 1,2 milhão, atendendo plenamente esse mercado. Depois, separa os 200 mil de lucro e readquire novas mercadorias pelos mesmos 1 milhão de reais, fazendo isso sucessivamente durante a sua vida. O seu Capital de Giro é de 1 milhão de reais.

Se um empresário desviar recursos do seu Capital de Giro para, digamos, adquirir imobilizados, logo irá comprar menos mercadorias e, obviamente, vender bem menos, diminuindo seu fluxo de caixa e vendo a sua empresa mergulhar em dificuldades financeiras para honrar com seus compromissos. O Capital de Giro deve ser intocável, pois é ele a sua maior fonte de renda.

Em geral de 50 a 60% do total dos ativos de uma empresa representam a fatia correspondente a este capital, mormente mercadorias e dinheiro. Além de sua participação sobre o total dos ativos da empresa, o capital de giro exige um esforço para ser gerido pelo administrador financeiro maior do que aquele requerido pelo capital fixo.

O capital de giro precisa ser acompanhado e monitorado constantemente, pois está sofrendo o impacto das diversas mudanças no panorama econômico enfrentado pela empresa de forma contínua.

As dificuldades relativas ao capital de giro numa empresa são devidas, principalmente, à ocorrência dos seguintes fatores:

- Redução de vendas
- Crescimento da inadimplência
- Aumento das despesas financeiras
- Aumento de custos

Denominando-se de "aplicação permanente" as contas não circulantes do ativo e de "fonte permanente" as contas não circulantes do passivo, define-se como Capital de Giro (C.D.G.) a diferença entre as fontes permanentes e aplicações permanentes.

C.D.G. = Passivo Permanente - Ativo Permanente.

O Capital de Giro também é um conceito econômico - financeiro e não uma definição legal, constituindo uma fonte de fundos permanente utilizada para financiar a Necessidade de Capital de Giro.

O Capital de Giro apresenta-se razoavelmente estável ao longo do tempo. O Capital de Giro diminui quando a empresa realiza novos investimentos em bens do ativo permanente (aumento dos imobilizados).

Todavia, esses investimentos são, em geral, realizados através de "Autofinanciamento" (empréstimos a longo prazo, aumento do capital em dinheiro e lucros líquidos) que por sua vez, aumentam o Capital de Giro (aumento das fontes permanentes) compensando, aproximadamente, a diminuição provocada pelos novos investimentos.

O Capital de Giro pode ser negativo. Neste caso, as aplicações permanentes são maiores do que as fontes permanentes, significando que a empresa financia parte de seu ativo permanente com fundos de curto prazo. Embora esta condição aumente o risco de insolvência, a empresa poderá se desenvolver, desde que sua Necessidade de Capital de Giro seja, também negativa.

Em Contabilidade, existe o Capital de Giro Circulante (CGC), também conhecido como Capital Circulante Líquido (CCL), que seria a diferença do Ativo Circulante (AC) e do Passivo Circulante (PC), grupos de contas do Balanço Patrimonial.

Assim, em contabilidade, tem-se:

CCL = CGC = AC - PC

Esse índice é decomposto na Demonstração conhecida legalmente como Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos, fonte de valiosos dados econômicos acerca da informação contábil. Essa Demonstração (que antes da lei das S/A também já foi chamada de Demonstração de Fundos), pode ser combinada com a Demonstração de Fluxo de Caixa, acrescentado-se informações financeiras de uso gerencial.

Os conceitos financeiros e contábeis provieram de pontos clássicos da Economia. O Capital circulante, sob essa abordagem, é um conceito criado como o oposto do Capital Fixo.Adam Smith e principalmente David Ricardo, foram os primeiros a estudar essa matéria de uma forma científica, própria da Ciência Econômica.